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Reforma Tributária: novas regras de impostos já começaram e só estarão completas em 2033

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A transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo no Brasil teve início em janeiro de 2026 e seguirá, em etapas, até 2033. O processo extinguirá gradualmente cinco tributos e implantará um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dividido entre esfera federal, estadual e municipal.

Quais tributos saem de cena

Deixam de ser cobrados, ao longo do período de transição, os seguintes impostos:

PIS (Programa de Integração Social);

Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social);

ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços);

ISS (Imposto sobre Serviços);

IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

O que entra no lugar

O novo arcabouço é composto por:

CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal;

IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), gerido em conjunto por estados e municípios;

Imposto Seletivo (IS), voltado a produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente.

IVA dual e créditos tributários

A principal inovação é o IVA dual: a CBS substitui PIS e Cofins, enquanto o IBS assume a arrecadação hoje feita por ICMS e ISS. Empresas passam a gerar créditos tributários equivalentes ao imposto pago nas etapas anteriores da cadeia, evitando cobrança em cascata.

Imposto Seletivo: quem paga

O IS incidirá, entre outros, sobre cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes e bebidas açucaradas, veículos, embarcações, aeronaves, bens minerais, concursos de prognósticos e fantasy sports.

Cronograma da transição

2026 – Cobrança-teste: alíquotas de 0,9% (CBS) e 0,1% (IBS).

2027 – CBS passa a valer plenamente; Imposto Seletivo entra em vigor; alíquota do IPI cai a zero para a maioria dos produtos, mantendo-se na Zona Franca de Manaus.

2029 a 2032 – IBS substitui gradualmente ICMS e ISS: 10% em 2029; 20% em 2030; 30% em 2031; 40% em 2032.

2033 – Extinção definitiva de PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI; vigência exclusiva de CBS, IBS e IS.

Efeito para o consumidor

A reforma promete maior transparência, pois o valor do tributo deverá ser destacado na nota fiscal. A carga total sobre o consumo tende a ser preservada, mas poderá haver reajuste de preços conforme o setor. Itens da cesta básica terão tratamento favorecido e famílias de baixa renda contarão com mecanismo de cashback que devolverá parte dos impostos pagos.

Desafios para as empresas

Entre 2026 e 2032, companhias terão de conciliar o sistema atual com o novo, revisar processos, atualizar ERPs e adequar a emissão de notas fiscais. O split payment — sistema que separa automaticamente o valor do tributo nos pagamentos eletrônicos — impactará o fluxo de caixa ao enviar a parcela devida diretamente ao governo.

Pontos ainda pendentes

A regulamentação definirá alíquotas finais de CBS, IBS e IS; critérios de cashback; regras do split payment; regimes especiais para saúde, educação, combustíveis, cooperativas e serviços financeiros; além de novas obrigações acessórias.

Com informações de Gazeta do Povo