Brasília — A reaproximação pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocorrida na quinta-feira, 23 de julho, recolocou a candidatura presidencial do parlamentar nos trilhos a dois dias da convenção do Partido Liberal, marcada para sábado (26).
Em postagem nas redes sociais, Flávio pediu desculpas à madrasta pelos desentendimentos que vinham sendo ventilados desde junho. Minutos depois, Michelle respondeu por vídeo: “Eu te desculpo”, convocando um “exército de pessoas de bem” para apoiar o enteado contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Efeito imediato nas bases
A troca de mensagens provocou manifestações de alívio entre políticos, influenciadores e apoiadores bolsonaristas. Até o deputado Eduardo Bolsonaro, crítico recente de Michelle, celebrou a concórdia.
Para o cientista político Adriano Cerqueira, do Ibmec-BH, o gesto “fecha a principal vulnerabilidade da campanha” e encerra especulações sobre uma eventual postulação de Michelle ao Planalto. Ele compara o episódio a prévias partidárias em que, após disputas internas, alas rivais se alinham ao candidato oficial.
Michelle mais forte; campanha aliviada
Analistas apontam que, além de aliviar a pressão sobre Flávio, a reconciliação projeta Michelle como principal liderança feminina da direita e reforça sua conexão com o eleitorado evangélico. O vídeo também restabelece um canal indireto entre Jair Bolsonaro — hoje com restrições judiciais — e a militância.
Próximos desafios
Apesar do clima favorável, a campanha enfrenta barreiras para ampliar alianças estaduais e reduzir a elevada rejeição ao senador. Dirigentes do PL avaliam, porém, que a polarização com o PT mantém Flávio como nome preferencial do campo antipetista.
Segundo Elton Gomes, professor da UFPI, Michelle percebeu limites de seu capital político ao aceitar o pedido de desculpas. “Uma candidatura presidencial exige apoio partidário consolidado, algo que, neste momento, só Flávio reúne”, disse.
A convenção de 26 de julho, em São Paulo, formalizará a chapa e marcará a transição da fase de conflitos internos para uma agenda centrada em alianças e na imagem de unidade da família Bolsonaro.
Com informações de Gazeta do Povo