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Apreensões de “canetas emagrecedoras” vindas do Paraguai expõem estigma no tratamento da obesidade, diz médico

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O aumento nas apreensões de lotes de “canetas emagrecedoras” trazidas clandestinamente do Paraguai escancara a dificuldade de acesso a medicamentos contra a obesidade no Brasil e o preconceito ainda presente em torno do tratamento farmacológico da doença. A avaliação é do nutrólogo Dr. Noé Alvarenga, que há mais de duas décadas atende pacientes com excesso de peso.

Medicamentos sob desconfiança

Em artigo publicado em 13 de julho de 2026, às 11h10, Alvarenga lembra que, nos anos 2000, os principais remédios disponíveis eram inibidores de apetite com ação no sistema nervoso central. À época, esses produtos eram frequentemente rotulados de forma genérica como “anfetaminas”, o que, segundo ele, reforçava o estigma tanto sobre os pacientes quanto sobre os médicos que os prescreviam.

Para o especialista, o cenário atual repete esse padrão. A cada nova tecnologia de emagrecimento, ressurge a desconfiança social, enquanto pessoas com obesidade continuam sendo vistas como “sem força de vontade”.

Mercado paralelo prospera

O médico relaciona o fluxo de produtos irregulares do Paraguai à combinação de alto custo, burocracia e falta de prescrição adequada nos canais oficiais. Diante dessas barreiras, muitos buscam versões mais baratas ou sem necessidade de receita, tornando-se alvo de um mercado que comercializa substâncias sem comprovação de qualidade ou segurança.

“Doença invisível”

Alvarenga classifica a obesidade como “subtratada, subdiagnosticada e subvalorizada”. Ele afirma que, quando o sistema de saúde não oferece opções acessíveis, a procura por medicamentos informais deixa de ser exceção.

Anvisa e vigilância sanitária

O nutrólogo ressalta a importância de uma agência reguladora forte para proteger o consumidor, mas defende que os órgãos de controle também precisam considerar a realidade socioeconômica do país. Caso contrário, alerta, o comércio ilegal tende a se expandir.

Busca por acolhimento

Muitos pacientes que recorrem às “canetas” paraguaias, destaca o médico, querem não apenas economizar, mas também evitar o julgamento associado ao excesso de peso. Ele relata receber em consultório usuários desses produtos que demonstram surpresa ao encontrar orientação médica em vez de crítica.

Citanto Albert Einstein — “é mais fácil destruir um átomo do que um preconceito” —, Alvarenga conclui que o debate em torno das apreensões serve como reflexo da postura social diante da obesidade e dos recursos para combatê-la.

Com informações de Pleno.News