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Investigação contra Banco Digimais expõe negócios de Edir Macedo e da Igreja Universal

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Autoridades brasileiras investigam o Banco Digimais, instituição de menor porte controlada pelo bispo Edir Macedo, por suspeita de supervalorização de ativos para ocultar problemas financeiros. A apuração resultou na execução de mandados contra executivos e no bloqueio de cerca de R$ 670 milhões em bens e recursos.

Macedo, 81 anos, lidera a Igreja Universal do Reino de Deus, que reúne aproximadamente 10 milhões de fiéis — 7 milhões deles no Brasil, segundo dados de 2021 da própria denominação. Além da igreja, ele comanda o Grupo Record, dono da segunda maior rede de televisão do país, e possui participação no Digimais.

Envolvimento político e empresarial

O bispo mantém histórico de influência política, tendo apoiado Luiz Inácio Lula da Silva nos anos 2000 e, posteriormente, Jair Bolsonaro em 2018. O partido Republicanos, com bancada relevante no Congresso, tem vínculos com a Universal e conta com pastores licenciados que já atuaram na Rede Record.

Em comunicado de junho, a Igreja Universal afirmou que Macedo não integra a administração do Digimais, atribuindo a gestão do banco a executivos habilitados. Ainda assim, a investigação recoloca os negócios do religioso sob escrutínio público.

Trajetória do Digimais

Macedo adquiriu 40% de um pequeno banco especializado em financiamento de veículos em 2009. A autorização do Banco Central veio em 2013, após decreto presidencial que permitiu a participação de residentes no exterior em instituições financeiras nacionais. O objetivo inicial era atender aos mais de 15 mil funcionários e fornecedores da Record.

Em 2020, o bispo comprou a fatia restante, renomeou a instituição para Digimais e indicou nomes ligados à Universal para a direção, entre eles o bispo João Luiz Urbaneja. No início deste ano, o banco precisou de aporte de capital para cumprir exigências regulatórias e iniciou negociações de venda com o BTG Pactual, ainda sem conclusão.

Também em 2024, Urbaneja foi substituído por Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, que ocupou cargos durante governos petistas.

Repercussão no setor financeiro

O caso Digimais remete ao fechamento do Banco Master em 2023, liquidado pelo Banco Central após denúncias de fraudes contábeis semelhantes. As suspeitas atuais reforçam questionamentos sobre a solidez de bancos de menor porte e a atuação de seus controladores.

Crescimento evangélico no Brasil

A expansão da Universal e de outras igrejas evangélicas contribuiu para a redução da hegemonia católica na América Latina. Dados do IBGE mostram que a parcela de evangélicos no Brasil saltou para 27%, enquanto o catolicismo caiu de mais de 90% para menos de 60% da população desde a década de 1970, quando a Universal foi fundada.

Paralelamente, Macedo continua a investir em projetos de grande alcance, como o Templo de Salomão em São Paulo, transmissões on-line de cultos e produções audiovisuais — entre elas o filme “Nada a Perder”, lançado em 2018, cujas bilheterias foram questionadas por suposta compra maciça de ingressos pela igreja.

Com informações de Folha Gospel