Brasília, 2 de maio de 2026 – Documentos vazados e fontes de inteligência ocidentais apontam que China e Rússia atuaram como principais fornecedoras de imagens de satélite e informações estratégicas para o Irã durante os recentes ataques contra alvos dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio.
Satélite chinês deu visão de alta resolução
De acordo com o Financial Times, a Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) utilizou o satélite espião chinês TEE-01B para reconhecimento preciso dos objetivos bombardeados em março. O equipamento, comprado em 2024 da empresa chinesa Earth Eye Co por cerca de US$ 36,6 milhões (R$ 183 milhões), registra objetos de até 50 centímetros — dez vezes mais detalhado que o modelo iraniano Noor-3.
Imagens captadas pelo TEE-01B antes e depois das operações mostram, entre outros locais, a Base Aérea Prince Sultan (Arábia Saudita) e a Base Aérea Muwaffaq Salti (Jordânia), ambas com presença militar norte-americana.
Segundo a pesquisadora Nicole Grajewski, do Carnegie Endowment for International Peace, o fato de o satélite estar sob controle direto da IRGC confirma seu uso estritamente militar, permitindo ao Irã selecionar alvos com antecedência e avaliar o êxito dos disparos.
Empresa chinesa divulgou imagens públicas de bases dos EUA
Paralelamente, investigação da emissora australiana ABC revelou que a companhia chinesa MizarVision, que possui participação estatal, publicou em redes sociais imagens de satélite aprimoradas por inteligência artificial de instalações com tropas dos EUA no Oriente Médio. O material incluía detalhamento de aeronaves, sistemas de defesa aérea e ativos navais.
Fontes do Pentágono disseram à TV australiana que a IRGC utilizou esse conteúdo para priorizar alvos de mísseis e drones. A Base Aérea Prince Sultan foi exibida pela MizarVision pelo menos seis vezes na semana que antecedeu o conflito e sofreu ataque iraniano menos de 48 horas após a última postagem.
Moscou reforça apoio com varreduras de satélite e táticas de drones
No campo russo, o Wall Street Journal informou em 28 de fevereiro que Moscou ampliou o compartilhamento de inteligência com Teerã. Satélites das Forças Aeroespaciais Russas forneceram dados sobre posições de tropas dos EUA, aliados regionais e embarcações no Oriente Médio.
Relatório da inteligência ucraniana indica que, entre 21 e 31 de março, satélites russos realizaram 24 varreduras sobre 46 instalações militares em 11 países da região, incluindo bases, aeroportos e campos petrolíferos.
A Rússia também transferiu ao Irã lições táticas aprendidas na guerra da Ucrânia, como altitudes ideais e número de drones por ataque. O secretário britânico de Defesa, John Healey, foi informado de que operadores iranianos adotaram essas práticas “de forma definitiva”.
Planos de novos envios chineses e negativas oficiais
Fontes da inteligência dos EUA relataram à imprensa americana, em abril, que Pequim avaliava enviar ao Irã sistemas portáteis antiaéreos MANPADs e radares avançados em banda X, possivelmente por rotas indiretas para mascarar a origem.
China e Rússia negam qualquer colaboração militar com Teerã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, classificou as acusações como “difamações infundadas”. O Kremlin também refutou ter repassado inteligência, posição reproduzida publicamente por representantes dos EUA, embora analistas mantenham ceticismo.
O cessar-fogo temporário decretado no Oriente Médio mantém, por ora, as hostilidades suspensas, mas os vazamentos revelam a extensão da retaguarda tecnológica que sustentou as investidas iranianas contra forças americanas e israelenses.
Com informações de Gazeta do Povo