Kyiv – Neste domingo, 26 de abril de 2026, o mundo recorda os 40 anos da explosão do reator 4 de Chernobyl, acidente que liberou cerca de 200 toneladas de material radioativo, contaminou grande parte da Europa e precipitou mudanças profundas nas normas internacionais de segurança nuclear.
Explosão durante teste de segurança
O desastre ocorreu na madrugada de 26 de abril de 1986, quando um teste de segurança fugiu ao controle e provocou a ruptura do reator na então União Soviética (atual Ucrânia). A potência liberada foi centenas de vezes superior à bomba lançada sobre Hiroshima em 1945, espalhando partículas tóxicas por Ucrânia, Belarus, Rússia, restante da Europa e até alcançando os Estados Unidos.
Tratados assinados após o silêncio soviético
A demora de quase três dias para que o governo soviético reconhecesse o acidente levou a comunidade internacional a aprovar novos instrumentos de monitoramento. Nasceram a Convenção sobre a Pronta Notificação de Acidentes Nucleares e a Convenção sobre Segurança Nuclear, que obrigam países a comunicar imediatamente qualquer incidente e a aceitar inspeções externas de especialistas.
Estruturas de contenção monitoradas
Para estancar a radiação, o reator foi inicialmente envolto por um “sarcófago” de concreto. Anos depois, a estrutura ganhou um escudo de aço projetado para resistir por pelo menos um século. Em 2025, um drone atingiu o revestimento externo, mas inspeções da ONU confirmaram que não houve vazamentos e que o local permanece estável.
Vítimas e cidades evacuadas
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) calcula cerca de 4 mil mortes diretas e indiretas ligadas à tragédia; entre 30 e 50 ocorreram nas primeiras horas. Centenas de milhares de moradores precisaram deixar áreas contaminadas, como a cidade de Pripyat, hoje um símbolo de abandono, enquanto gerações ainda lidam com problemas de saúde relacionados à radiação.
Nuclear ainda integra a matriz global
Quatro décadas depois, a energia nuclear responde por aproximadamente 10% da eletricidade mundial. Governantes, entre eles o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o papa Leão XIV, defendem a tecnologia como fonte limpa, mas alertam para a necessidade de impedir que usinas se tornem alvos em conflitos armados.
Quarenta anos após o pior acidente nuclear da história, Chernobyl continua a servir de referência obrigatória para políticas de transparência, protocolos de emergência e debate sobre o papel da energia atômica em um mundo que busca fontes de baixo carbono.
Com informações de Gazeta do Povo