Uma pesquisa da Ipsos-Ipec revela que, embora 93% dos brasileiros considerem importante ou muito importante ampliar o uso de fontes renováveis de eletricidade, apenas 19% estão muito dispostos a arcar com tarifas mais altas para viabilizar essa transição. O levantamento ouviu 2 mil pessoas em 129 municípios do país.
Conta de luz pesa no orçamento
Segundo o estudo, 71% dos entrevistados classificam o valor da fatura como alto ou muito alto, enquanto apenas 5% a consideram baixa ou muito baixa. Em 2025, a energia elétrica residencial acumulou aumento de 12,31%, acima da inflação oficial de 4,26% medida pelo IPCA.
Disposição menor entre famílias de baixa renda
No grupo com renda familiar de até um salário mínimo, só 16% se declaram muito dispostos a pagar mais pela energia renovável; 47% não aceitam qualquer acréscimo. Para Marcia Cavallari, head da Ipsos-Ipec, o dado indica que políticas de transição deverão trazer garantias de que o custo extra não recairá diretamente sobre o consumidor.
Matriz brasileira já é majoritariamente renovável
Dados do Balanço Energético Nacional (BEN) de 2024, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mostram que 88% da eletricidade ofertada no país vêm de fontes renováveis. A hidroeletricidade segue predominante, embora sua participação tenha caído de 65,2% em 2014. No mesmo período, a energia eólica avançou de 2% para 14,1%, enquanto a geração solar entrou na estatística mais recentemente.
Desde 2004, as fontes renováveis representam mais de 70% da matriz elétrica nacional, reforçando a tendência de limpeza gradual do sistema com a expansão de parques eólicos e solares.
Com informações de Gazeta do Povo