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Chile aposta em pisco, cerejas e azeite para diversificar exportações ao Brasil

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São Paulo, 21 de maio de 2026 – Segundo maior parceiro comercial do Brasil na América do Sul, o Chile quer deixar de ser lembrado apenas pelo salmão e pelo vinho nas prateleiras brasileiras. A partir desta semana, uma comitiva do governo chileno e representantes de 22 empresas participam da feira APAS Show, em São Paulo, para apresentar novos itens ao varejo local, como pisco, cerejas frescas, azeite de oliva, queijos artesanais e cervejas.

Brasil é principal destino latino de produtos chilenos

De janeiro a abril deste ano, as vendas do Chile ao mercado brasileiro somaram US$ 897 milhões, o equivalente a 4,72% do total exportado pelo país andino, de acordo com dados do órgão de promoção comercial ProChile. Na América Latina, o Brasil é o principal comprador de mercadorias chilenas; no ranking global, fica atrás apenas de China, Estados Unidos, Japão e Índia.

Nesse período, salmão e truta lideraram a pauta, com US$ 359 milhões em embarques (40% do total) e aumento de 3,6% frente aos quatro primeiros meses de 2025. Logo depois aparecem os vinhos, que alcançaram US$ 64 milhões, alta de 17,6%. Hoje, 44% dos vinhos importados vendidos no Brasil são chilenos.

Meta é alcançar interior e Nordeste

O diretor comercial do ProChile, Hugo Corales, afirma que o momento é “o melhor na relação comercial entre Chile e Brasil”. A estratégia, segundo ele, passa por fortalecer a complementariedade produtiva entre os dois países e aproveitar o crescimento do varejo regional e do turismo interno para inserir itens de maior valor agregado fora dos grandes centros.

“Nosso objetivo é oferecer um portfólio mais premium e chegar a outros estados, conectando-nos a redes de supermercados regionais”, explica Corales. A intenção é colocar queijos artesanais, azeites e destilados especialmente em hotéis e supermercados do Nordeste, região impulsionada por uma classe média em expansão.

Frutas e oleaginosas em alta

As frutas frescas e secas já despontam como aposta. No primeiro quadrimestre, o segmento movimentou US$ 56 milhões. O destaque ficou para as cerejas, com US$ 7 milhões e avanço de 47,8%. Também registraram crescimento os embarques de kiwis (US$ 7 milhões, +26,4%) e de tomates processados (US$ 5 milhões, +125,3%). Entre as oleaginosas, subiram as vendas de nozes (US$ 3 milhões, +89,5%), amêndoas (US$ 1 milhão, +426,4%) e avelãs (US$ 2 milhões, +957,1%). O azeite de oliva alcançou US$ 9 milhões, incremento de 42,5%.

Logística mira corredor bioceânico

Para sustentar a expansão, o Chile aposta no Corredor Rodoviário Bioceânico de Capricórnio, que ligará Mato Grosso do Sul aos portos de Iquique, Antofagasta e Mejillones, atravessando Paraguai e a província argentina de Jujuy. A adesão brasileira à Convenção TIR, ratificada no fim do ano passado, deve reduzir inspeções fronteiriças, tornando o transporte rodoviário mais ágil e econômico.

Do lado brasileiro, o Chile já é o terceiro maior destino da carne bovina nacional, atrás apenas de China e Estados Unidos, relação favorecida pelo acordo de livre-comércio atualizado em 2022.

Com a diversificação de produtos e melhorias logísticas, Santiago pretende ampliar a presença em regiões brasileiras ainda pouco atendidas e consolidar um portfólio baseado em itens de maior valor agregado.

Com informações de Gazeta do Povo