O Palácio do Planalto alterou a estratégia de comunicação e passou, nesta quinta-feira (16), a reivindicar a paternidade das operações da Polícia Federal que investigam as fraudes financeiras do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A mudança foi marcada por entrevista coletiva convocada pela Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) poucas horas após a PF deflagrar a quarta fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Durante a coletiva, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou que a Secom passou a avaliar a “intensidade das demandas” e, sempre que necessário, chamará a imprensa para atualizar o andamento das ações. Até então, o governo havia se manifestado apenas após a primeira fase da Compliance Zero, em novembro de 2025.
A nova postura chega num momento em que pesquisas apontam queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará um quarto mandato nas eleições de outubro. O Planalto tenta também se distanciar de suspeitas de proximidade com o escândalo do Master, mencionadas em CPIs rejeitadas recentemente pelo Congresso.
Autonomia da PF reiterada
O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, afirmou que parte do sigilo foi levantada, mas detalhes permanecem restritos. Segundo ele, o foco da operação é “a corrupção de gestores e o esquema de lavagem de dinheiro” descobertos desde o início das investigações.
Murad e Lima e Silva frisaram que a PF atua com “total e ampla autonomia”. O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, reforçou que a diretriz do presidente é “atacar o andar de cima e os magnatas do crime”, assegurando independência aos investigadores.
Outras frentes e novo decreto
As autoridades lembraram que outras operações, como a Carbono Oculto — desencadeada em agosto de 2025 contra adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro ligada ao PCC —, ganharão visibilidade nos próximos dias. Chico Lucas adiantou ainda que Lula assinará um decreto para apertar o cerco financeiro a facções criminosas, dentro da recém-sancionada Lei Antifacção.
Questionados sobre possíveis envolvidos no setor público, os porta-vozes alegaram segredo de Justiça. “Há muitos fatos e não se consegue fazer tudo de uma vez. Mas ninguém deve duvidar da autonomia da PF”, concluiu Murad.
Com informações de Gazeta do Povo