Entidades empresariais e centros de pesquisa alertam para perdas econômicas gigantescas caso o governo concretize, ainda em 2026, a proposta de extinguir a escala de trabalho 6×1 sem redução salarial. Projeções apontam queda de até 16% no Produto Interno Bruto (PIB) — cerca de R$ 2,9 trilhões — e fechamento de até 1,2 milhão de vagas formais.
Produto Interno Bruto em risco
Os levantamentos indicam cenários diferentes conforme o limite de horas semanais. Caso a nova jornada seja fixada em 36 horas, a contração inicial do PIB pode atingir 7,4%, índice semelhante à recessão verificada entre 2014 e 2016. Em estimativas mais pessimistas, a perda sobe para 16% da produção nacional.
Efeito imediato sobre o emprego
A redução da carga horária, mantendo o salário integral, encarece o custo da hora trabalhada. Segundo os estudos, isso pressionaria empresas a frear contratações ou demitir, resultando na extinção de 640 mil a 1,2 milhão de postos de trabalho registrados.
Setores mais vulneráveis
Comércio, serviços e transportes — áreas de alta intensidade de mão de obra e que utilizam o modelo 6×1 em quase 90% das posições — seriam os primeiros a sentir o impacto. Micro e pequenas empresas, com menor capacidade de investir em automação ou reorganizar turnos, enfrentariam risco elevado de falência.
Agronegócio fora da linha de tiro
O agronegócio desponta como exceção. Graças aos avanços tecnológicos e ganhos de produtividade, o setor rural teria condições de absorver o aumento do custo do trabalho sem sofrer retração acentuada, apontam os relatórios.
Voz dissonante
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao governo federal, sustenta que a economia brasileira possui margem para acomodar a mudança, comparando o impacto ao de reajustes anuais do salário mínimo. O órgão ressalta possíveis benefícios sociais, como melhora da saúde dos trabalhadores, mais tempo em família e aumento da qualidade de vida.
O fim da escala 6×1 figura como uma das prioridades da agenda trabalhista do governo para 2026, mas os números divulgados intensificam o debate sobre o custo econômico da proposta.
Com informações de Gazeta do Povo