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Carga tributária atinge recorde de 32,4% do PIB e pressiona empresas e cidadãos

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Brasília – A carga tributária brasileira alcançou 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, totalizando R$ 2,89 trilhões e estabelecendo um novo recorde histórico, segundo levantamento de economistas citados pela Gazeta do Povo.

O percentual aproxima o Brasil da média de 34,1% registrada pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A diferença, apontam especialistas, é que nações desenvolvidas devolvem parte substancial dos impostos em serviços públicos de qualidade, enquanto no Brasil a população não percebe retorno proporcional.

Modelo “gastar e tributar”

Analistas atribuem o avanço da arrecadação ao modelo fiscal do governo Lula, descrito como “gastar e tributar”. O Executivo mantém expansão constante das despesas — sobretudo gastos obrigatórios com Previdência e benefícios sociais — e lança novas medidas de arrecadação para cobrir o rombo. No atual mandato, foi criada em média uma iniciativa para aumentar impostos a cada 27 dias.

Efeito sobre investimentos

Com base na Curva de Laffer, especialistas afirmam que elevar tributos além de determinado ponto pode reduzir a própria arrecadação ao sufocar atividades produtivas. Margens de lucro comprimidas levam empresas a adiar projetos, a migrar para a informalidade ou até a encerrar operações, minando o potencial de crescimento econômico.

Concentração no consumo e burocracia

O sistema brasileiro é marcado por forte incidência sobre o consumo — casos de PIS, Cofins e ICMS — o que torna a carga regressiva: cidadãos de menor renda acabam pagando proporcionalmente mais do que os de faixas superiores. Outro problema é a burocracia. Enquanto empresas de países desenvolvidos gastam cerca de 200 horas anuais com obrigações fiscais, no Brasil esse tempo ultrapassa 1.500 horas, impactando a produtividade.

Caminhos para o equilíbrio

Economistas defendem que, além de simplificar e unificar tributos, é necessário conter a expansão dos gastos públicos. Entre as propostas estão a reforma administrativa e o fim do reajuste automático de alguns benefícios sociais. A meta é reduzir o chamado “custo Brasil” e permitir que a competitividade das empresas dependa mais da eficiência produtiva do que de benefícios fiscais pontuais.

Para os especialistas, combinar simplificação tributária com disciplina nas despesas públicas é condição decisiva para recuperar investimentos, aumentar a base de contribuintes formais e melhorar a entrega de serviços à sociedade.

Com informações de Gazeta do Povo