Brasília, 27 de julho de 2026. A reforma tributária em tramitação introduz o split payment, sistema que desconta o imposto no instante da venda e envia o valor diretamente ao governo. A novidade promete reduzir a sonegação, mas preocupa empresários pela retirada imediata de capital de giro e pelo risco de endividamento.
Como o mecanismo opera
Nas compras pagas por Pix ou cartão, a parcela devida de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) é separada no ato da transação. Apenas o montante líquido chega à conta do vendedor. Hoje, o comerciante recebe o valor integral e quita o tributo semanas depois, usando esse intervalo para cobrir despesas operacionais.
Efeito sobre o fluxo de caixa
A perda da “folga” entre a venda e o recolhimento pode levar empresas sem reservas a buscar crédito bancário. Especialistas apontam que o aumento dos custos financeiros tende a pressionar preços finais e margens de lucro.
Descontos de créditos tributários
O sistema permite abater os créditos acumulados na cadeia produtiva. Se uma operação gera R$ 280 em imposto, mas a companhia possui R$ 180 em créditos, apenas R$ 100 são retidos. Caso a verificação não ocorra imediatamente, o Fisco retém o valor cheio e devolve a diferença em até três dias úteis.
Setores mais expostos
Entidades como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a FecomercioSP afirmam que negócios com margens reduzidas, ciclos financeiros longos e alto volume de mercadorias sentirão o impacto com maior intensidade. Empresas que pagam fornecedores antes de receber dos clientes podem entrar no vermelho, alertam as instituições.
Exceção para o Simples Nacional
Quem permanecer no regime unificado do Simples Nacional ficará fora da retenção automática. Contudo, os créditos gerados por esses contribuintes tendem a ser menores, o que pode reduzir a atratividade de pequenos fornecedores frente a companhias enquadradas no regime regular.
O split payment ainda depende de regulamentação detalhada, mas já mobiliza setores produtivos preocupados com a gestão de caixa e o custo do capital.
Com informações de Gazeta do Povo