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Sánchez atribui crise migratória em Ceuta a redes de tráfico humano e avalia acelerar deportações

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Ceuta – O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, responsabilizou nesta sexta-feira (31) grupos de tráfico humano pela entrada irregular de milhares de migrantes em Ceuta, enclave espanhol no norte da África. O chefe do Executivo classificou o episódio como “violação da integridade territorial” e sinalizou mudanças legais para agilizar deportações.

Decisão do Supremo e uso “oportunista”

Sánchez afirmou que as quadrilhas aproveitaram uma sentença da Suprema Corte espanhola, emitida há três semanas, segundo a qual migrantes que chegam a nado a Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos de forma sumária. A corte limitou a expulsão imediata apenas aos que entram ultrapassando barreiras físicas, como as cercas fronteiriças.

Barreira flutuante em estudo

Para cumprir a decisão judicial e, ao mesmo tempo, conter novas travessias, o governo estuda instalar boias ao longo do quebra-mar que separa Ceuta da cidade marroquina de Castillejos. Segundo o premiê, a estrutura criaria “uma barreira física em termos visuais” que facilitaria a repatriação na própria fronteira.

Possíveis ajustes na legislação

Alvo de críticas por alegada política de “portas abertas”, o socialista não descartou alterar leis migratórias com o objetivo de tornar a devolução de estrangeiros “a mais eficaz possível”.

Contato com Rabat

Sánchez declarou que o diálogo com o governo do Marrocos tem sido “constante, fluido e muito razoável”, diferentemente do ocorrido em 2021, quando cerca de 10 mil pessoas entraram em Ceuta num único dia.

Números da nova onda

Imagens divulgadas na quinta-feira (30) mostraram milhares de migrantes rompendo cercas na fronteira. Dados oficiais indicam que aproximadamente 60 mil pessoas atravessaram por mar e terra em 24 horas – volume equivalente a 70% da população de Ceuta – e que 19 corpos foram encontrados nas águas próximas ao enclave.

As autoridades espanholas ainda não informaram quando as eventuais mudanças legais deverão ser apresentadas ao Parlamento.

Com informações de Gazeta do Povo