Brasília — O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, declarou nesta quinta-feira (21) que rompe politicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL) após a divulgação de negociações do parlamentar com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em entrevista ao SBT News, Zema afirmou que “está rompendo com tudo aquilo que condena” e reforçou que não caminhará ao lado de quem, segundo ele, se associa a práticas de corrupção. “Quem estiver do lado de corrupto, não conte comigo”, declarou.
A cisão ganhou força depois de o site The Intercept Brasil revelar, na semana passada, que Flávio negociou R$ 134 milhões em investimentos de Vorcaro para a produção de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desse montante, cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. O senador confirmou o pedido de recursos, mas negou irregularidades e admitiu ter visitado o empresário um dia após ele deixar a prisão.
Zema, que chegou a ser cotado como possível vice na chapa de Flávio, classificou Vorcaro como “bandido banqueiro” e disse que a visita revela um vínculo “muito forte e personalíssimo” incompatível com os princípios de ética que defende. Ele lembrou que o Novo firmou alianças regionais com o PL no Sul e em Goiás, mas ressaltou: “Eu não utilizei o nome da minha família para me promover politicamente; eu criei esse nome na política e me considero ainda um outsider”.
Ao se afastar tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto do clã Bolsonaro, Zema procura consolidar-se como alternativa de terceira via. Para ele, a disputa de 2026 será impulsionada pela insatisfação popular, que classificou como “eleição da indignação”. Mesmo com o desgaste de Flávio, o pré-candidato avalia que a direita chegará ao segundo turno.
O ex-governador também ampliou críticas ao Supremo Tribunal Federal, dizendo que a Corte parece “contaminada” por suspeitas em contratos e defendendo um “choque de credibilidade e ética” em todos os Poderes. Zema declarou que continuará denunciando o que considera irregularidades, “independentemente de retaliações judiciais”.
No dia 15 de maio, a Procuradoria-Geral da República denunciou Zema por suposta calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. A acusação decorre da série de vídeos “Os Intocáveis”, na qual Gilmar e o ministro Dias Toffoli aparecem como fantoches discutindo a CPI do Crime Organizado.
Com informações de Gazeta do Povo