A Corte de Cassação da Itália anulou nesta sexta-feira (22) a ordem de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e determinou sua imediata liberdade, informou o advogado de defesa, Fabio Pagnozzi. A ex-parlamentar estava presa desde julho de 2025 em Roma.
Segundo Pagnozzi, o tribunal reconheceu Zambelli como “perseguida política” e levou em conta problemas de saúde — cardiopatias, depressão e fibromialgia — para deferir o pedido de soltura, que inicialmente seria analisado apenas na próxima semana.
Mesmo solta, a ex-deputada ainda aguarda a decisão final sobre a extradição, que cabe ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio. Ele dispõe de até 45 dias para manter ou arquivar o processo que poderia devolver Zambelli ao Brasil.
No Brasil, a ex-parlamentar foi condenada a dez anos de prisão por suposto financiamento à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Outro réu no caso, o hacker Walter Delgatti Neto, recebeu pena de oito anos e três meses e já cumpre regime aberto.
Antes da anulação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes havia requisitado aos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores que providenciassem a transferência da ex-deputada, após decisão da Corte de Apelação de Roma favorável ao envio. A defesa recorreu, alegando parcialidade de Moraes, condições prisionais inadequadas no Brasil e inexistência na Itália de crime equivalente ao de invasão de dispositivo informático. Esses argumentos foram rejeitados na instância anterior, mas prevaleceram agora na Corte de Cassação.
Com a decisão desta sexta-feira, Zambelli pôde deixar o presídio e retornar à sua residência na capital italiana.
Com informações de Gazeta do Povo