O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar duramente a Operação Lava Jato e classificou o caso como “a maior mentira do século 21” no Brasil. A declaração foi feita em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), na qual o chefe do Executivo também atacou a atuação do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol.
Lula afirmou que a operação teria sido fortemente impulsionada pela imprensa e sustentada por acusações que, segundo ele, não se confirmaram ao longo dos anos. “A Lava Jato foi a grande mentira do século 21 deste país que os meios de comunicação fomentaram em torno de dois postos chamados Moro e Dallagnol e que depois não provaram nada”, afirmou.
Consequências econômicas
Durante a entrevista, o presidente disse que o combate à corrupção conduzido pela Lava Jato gerou efeitos colaterais severos sobre a economia. Segundo Lula, empresas investigadas foram “quebradas” de forma indevida, o que teria resultado na perda de cerca de 4 milhões de empregos. “Quebraram muitas empresas porque aqui o objetivo era quebrar as empresas”, declarou, defendendo que punições atingissem culpados sem comprometer a continuidade das companhias.
Lava Jato, prisões e anulações
A Operação Lava Jato começou em 2014, sob comando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, com foco em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras e agentes políticos. Ao longo dos anos, o caso resultou em centenas de condenações e teve forte repercussão política e econômica.
Lula foi preso em 2018 no âmbito da operação, mas teve suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que apontou irregularidades processuais.
Crítica à imprensa e ao sistema político
O petista também acusou veículos de comunicação de demorarem a reconhecer erros de cobertura. “Eu não vi ninguém pedir desculpa”, disse, sem citar nomes. Para ele, sucessivos escândalos de corrupção afastam a população da política e alimentam a desconfiança nas instituições democráticas. “O que o povo vai gostar de política se vê 80% de mentira na televisão?”, questionou.
Ao comentar o financiamento eleitoral, Lula declarou ter mudado de posição: “Eu era favorável ao fundo partidário. Hoje eu sou contra”, afirmou, ao apontar distorções geradas pelos recursos públicos destinados às campanhas.
As declarações reforçam a disputa de narrativas sobre a Lava Jato, cujos desdobramentos seguem influenciando o debate político e econômico no país.
Com informações de Direita Online