São Paulo — O vereador paulistano Senival Moura (PT) foi preso nesta terça-feira (data da operação não informada) em uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil. A investigação aponta que o parlamentar teria utilizado a empresa de transportes Transunião para movimentar recursos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Influência na Transunião
De acordo com o relatório final do inquérito, mesmo sem cargo formal na administração da empresa, Moura exercia forte influência interna e, em diversas ocasiões, tinha a palavra final sobre decisões estratégicas. Os investigadores afirmam que a companhia foi transformada em estrutura para um sistema financeiro clandestino que sustentaria integrantes da facção criminosa.
Movimentações sob suspeita
Um levantamento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou aproximadamente R$ 2,4 milhões em operações sem origem declarada atribuídas ao vereador. A polícia localizou ainda imóveis avaliados em mais de R$ 1,8 milhão e uma propriedade rural de alto padrão em Extrema (MG), patrimônio considerado incompatível com o salário de cerca de R$ 26 mil mensais recebido na Câmara Municipal.
Outros presos e histórico do caso
Além de Moura, foram detidos Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, apontado como diretor informal da Transunião, e Devanil de Souza Nascimento, o “Sapo”, descrito como homem de confiança do vereador. Os dois já respondem a processo pelo assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa, morto em 2020 — crime que deu origem à operação batizada de Última Parada.
Bloqueio de bens e intervenção
Segundo o MP-SP, a Transunião recebeu cerca de R$ 300 milhões provenientes do sistema municipal de transporte em 2025. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 194 milhões em contas ligadas aos investigados e à empresa, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. Também foi ordenado o afastamento da atual diretoria da Transunião e comunicado à Prefeitura de São Paulo para que avalie intervenção a fim de garantir a continuidade do serviço aos passageiros.
Até o momento, a defesa de Senival Moura informou que prepara nota oficial. A liderança do PT na Câmara e a Transunião ainda não se pronunciaram.
Com informações de Direita Online