Brasília, 25 de junho de 2026 – Uma eventual condenação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em ação cível movida pela plataforma de vídeos Rumble e pela Trump Media na Justiça Federal da Flórida tende a produzir forte impacto político e simbólico, mas com alcance jurídico restrito, apontam especialistas ouvidos.
Processo questiona ordens de bloqueio
A ação alega que decisões de Moraes, ao determinar o bloqueio de contas e conteúdos hospedados em empresas norte-americanas, violaram garantias previstas na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. O objetivo das companhias é obter reconhecimento judicial de que essas ordens não têm validade em território americano.
Penas criminais estão descartadas
Segundo a advogada Yolanda Tolentino, especialista em política internacional, trata-se de um processo exclusivamente cível. “Não há acusação criminal apresentada pelo Departamento de Justiça; logo, não existe possibilidade de pena de prisão ou perda do cargo”, explica. Para que houvesse detenção, seria necessário um processo criminal federal, inexistente até o momento.
Impacto tende a ser simbólico
Para o advogado Georges Humbert, pós-doutor em Direito, uma decisão que classifique as ordens de Moraes como incompatíveis com a lei norte-americana teria peso político considerável. “Um tribunal federal dizendo que um ministro do STF praticou censura vira munição de grande alcance, ainda que sem efeito direto no Brasil”, avalia.
Sanções Magnitsky são casos distintos
Os especialistas lembram que a ação atual não se confunde com as sanções já impostas e revogadas sob a Lei Magnitsky. Humbert destaca: “Magnitsky foi medida administrativa, rápida e sem juiz. O processo da Rumble é judicial, lento, sujeito a imunidade soberana e sem viés criminal”.
Indenizações esbarram em bens nos EUA
Além de eventual declaração de nulidade das ordens, a corte pode fixar indenização se forem comprovados prejuízos financeiros. Contudo, a execução depende da existência de bens do ministro em solo americano, algo que ele nega possuir.
Visto permanece decisão política
Quanto ao visto de entrada nos Estados Unidos, o professor de Direito do Ibmec-RJ Taiguara Libano recorda que a concessão ou cancelamento é ato discricionário do Executivo norte-americano, independente do desfecho do processo.
Assim, o cenário mais provável, segundo analistas, é que o caso renda repercussões reputacionais e diplomáticas, reacendendo discussões sobre liberdade de expressão, regulação de plataformas digitais e limites da jurisdição de autoridades brasileiras sobre empresas sediadas no exterior.
Com informações de Gazeta do Povo