Brasília — O ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, afirmou que a situação do ministro do Supremo Tribunal Federal “fica cada vez pior e mais vergonhosa” após manifestação da Defensoria Pública da União (DPU). Em parecer divulgado na quinta-feira (16), a DPU sustentou que Moraes violou a Constituição ao designar um defensor público para representá-lo sem sua autorização.
Tagliaferro comentou o episódio durante participação no programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo, exibido nesta sexta-feira (17). “Não fazia sentido acolher a ordem do ministro porque eu não destitui meus advogados. Não existe abandono de cliente”, declarou.
Nomeação contestada
A nomeação do defensor público foi determinada por Moraes depois que os advogados de Tagliaferro se recusaram a comparecer a uma audiência de instrução. No entendimento da DPU, a medida ignorou o direito do acusado de escolher sua própria defesa e deve ser anulada “com efeito absoluto”.
“Ele conhece a lei, porém se recusa a segui-la, agindo como se fosse a própria Constituição”, criticou o ex-assessor, que atuou no TSE durante a gestão de Moraes.
Críticas ao ministro
Para Tagliaferro, há percepção crescente de que o magistrado se tornou “incontrolável”. “Se ele decide que alguém é inimigo, a pessoa é condenada e presa, sem diálogo. Até aliados percebem que podem correr risco”, afirmou.
Preocupação com as eleições de outubro
Ex-servidor do TSE, Tagliaferro disse temer a atuação de servidores que, segundo ele, teriam “visão de esquerda” e estariam dispostos a repetir, nas eleições municipais de outubro, a estratégia de 2022 de encaminhar denúncias via WhatsApp contra postagens de direita. “Eles já têm a experiência da maldade e não vão querer perder o poder”, disse.
O programa Sem Rodeios vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 13h30, no canal da Gazeta do Povo no YouTube.
Com informações de Gazeta do Povo