Brasília — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta terça-feira (2) sentir-se “agredido da direita à esquerda” pela cobrança para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o caso do Banco Master. Segundo o parlamentar, a criação do colegiado tem objetivo eleitoral e ignora investigações já em curso na Polícia Federal, no Ministério Público Federal e na Justiça.
“Querem abrir mais uma CPMI para fazer palanque”, declarou Alcolumbre durante sessão do Congresso que durou quatro horas. O requerimento de leitura da CPMI não foi apreciado, o que gerou críticas de vários senadores.
Veto derrubado e tensão na sessão
No mesmo encontro, deputados e senadores derrubaram o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e permitiram repasses de recursos a estados e municípios em período próximo às eleições, prática proibida pela legislação eleitoral.
PEC do 6×1 sem pressa
Questionado pelo senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) sobre a Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6×1, Alcolumbre disse que o Senado não será “casa carimbadora” da Câmara. O texto, aprovado pelos deputados em 28 de maio e considerado prioridade pelo Palácio do Planalto para a campanha de reeleição de Lula, passará por ao menos uma comissão antes de ir a plenário.
“Não é razoável que a Câmara passe cinco meses debatendo um assunto relevante para o Brasil e o Senado seja obrigado a apenas carimbar”, declarou. A tramitação será definida em reunião de líderes marcada para a próxima semana.
Relação com o Planalto e queixa por ataques
Alcolumbre lembrou que a relação com o Executivo ficou estremecida após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Ele também reclamou da falta de reconhecimento pelos avanços legislativos desde 2019 e disse sofrer ataques diários nas redes sociais.
“Não me obrigue, não me ameace, não me ofenda”, afirmou. “Vou decidir no tempo adequado, de acordo com a minha consciência.”
Com informações de Gazeta do Povo