Brasília — 12 de junho de 2026. A Polícia Federal recusou a segunda tentativa de colaboração premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente desde março no âmbito da Operação Compliance Zero. A negativa, oficializada nesta semana, coloca o investigado na iminência de perder o direito a cela especial e aumenta a possibilidade de transferência para unidade prisional comum ou até para o Presídio Federal de Segurança Máxima, em Brasília.
Proposta considerada “insuficiente”
De acordo com fontes ligadas às investigações, o novo conjunto de relatos não trouxe informações inéditas nem provas robustas que justificassem benefícios legais, como perdão ou redução de pena. A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisa o mesmo material e, segundo interlocutores, também tende a não homologar o acordo.
Risco de regressão no regime carcerário
Sem a colaboração aceita, investigadores avaliam que Vorcaro pode ser removido da cela especial na superintendência da PF em Brasília. Entre os cenários cogitados estão a Papudinha — ala do Complexo Penitenciário da Papuda — ou o presídio federal de segurança máxima da capital.
Momento perdido para negociar
Especialistas consultados apontam desgaste nas tratativas. Para o doutor em Direito Luiz Augusto Módolo, a demora de Vorcaro em oferecer conteúdo efetivo fez com que outros suspeitos se aproximassem de acordos, reduzindo o valor estratégico do que ele ainda possa revelar. O ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa, e o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, já negociam suas próprias delações.
Dúvidas sobre provas e relatos
Delegados e procuradores afirmam que o ex-banqueiro não apresentou documentos capazes de comprovar as acusações, requisito considerado imprescindível. Em conversas internas, ele teria negado participação em atos ilegais, o que, para investigadores, sinaliza resistência em assumir responsabilidades.
Decisão final no STF
Caso a PGR confirme parecer contrário, a defesa ainda poderá levar o pedido diretamente ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Juristas avaliam, contudo, que o magistrado dificilmente homologará um acordo rejeitado pelas duas instâncias anteriores.
Defesa reclama de “resistência”
Interlocutores de Vorcaro dizem que a segunda versão da proposta ampliou detalhes sobre operações financeiras e relações políticas do extinto Banco Master, mas alegam que haveria força contrária à colaboração. Oficialmente, os advogados não comentaram.
Enquanto novas tentativas não surgem, o ex-banqueiro permanece detido há três meses, vendo diminuir as chances de vantagens processuais à medida que outros investigados avançam em suas negociações.
Com informações de Gazeta do Povo