A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, a proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do liquidado Banco Master. A decisão segue parecer negativo emitido pela Polícia Federal na semana passada.
Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, o material entregue pelo investigado não trouxe fatos inéditos nem provas capazes de impulsionar novas frentes de apuração sobre o escândalo financeiro que levou ao colapso da instituição. A defesa do banqueiro foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.
Benefícios em risco
Com a segunda negativa, Vorcaro pode perder o direito de permanecer em cela especial e corre o risco de ser transferido para a Penitenciária da Papudinha ou para o Presídio Federal de Segurança Máxima em Brasília. A eventual remoção depende de avaliação sobre condições de segurança.
Dúvidas sobre provas apresentadas
Autoridades que participam da investigação apontam que, apesar de citar relacionamentos com agentes públicos e ampliar detalhes já conhecidos, o banqueiro não apresentou documentos que comprovassem suas alegações. A Polícia Federal ainda analisa vasto acervo físico e digital apreendido em oito fases da Operação Compliance Zero.
Para o advogado constitucionalista Alessandro Chiarottino, o tempo joga contra o investigado: quanto mais colaboradores firmam acordos e entregam evidências, menor tende a ser a relevância estratégica da contribuição de Vorcaro.
Reclamações da defesa
Pessoas ligadas ao empresário afirmam que a segunda proposta era mais completa do que a primeira — igualmente recusada — e que haveria resistência de PF e PGR em negociar. Essas fontes dizem que Vorcaro relata repasses a políticos, mas nega que os valores tenham servido para comprar decisões ou vantagens indevidas.
Preso preventivamente pela segunda vez desde março, Vorcaro está há três meses na cadeia e continua apontado como peça-chave do esquema que provocou a quebra do Banco Master.
Com informações de Gazeta do Povo