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Bastidores no STF: aliados articulam mudança de relator em possível investigação contra Flávio Bolsonaro

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Brasília, 15 de junho de 2026 – A possível abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, revelada em um áudio sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, movimenta bastidores na Corte e mira na substituição do relator natural do caso, ministro André Mendonça.

Tentativa de levar o caso a Alexandre de Moraes

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou pedido para que o ministro Alexandre de Moraes inclua Flávio em inquérito já aberto no ano passado contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), também relatado por Moraes. A manobra, se aceita, afastaria Mendonça da relatoria, já que o magistrado assumiu por sorteio, em fevereiro, a investigação que apura fraudes no Banco Master e possível corrupção de agentes públicos por Vorcaro.

No requerimento, Lindbergh sustenta que recursos destinados formalmente ao longa-metragem poderiam ter financiado a campanha internacional de Eduardo Bolsonaro para pressionar autoridades norte-americanas a sancionar Moraes pela Lei Magnitsky. A defesa de Flávio, por sua vez, pediu a suspeição de Moraes alegando vínculo contratual entre o Banco Master e o escritório de advocacia da família do ministro.

Quatro caminhos em análise

Dentro da Polícia Federal (PF), o diretor-geral Andrei Rodrigues confirmou em 9 de junho, à rádio BandNews, que a corporação avalia qual procedimento adotar. Segundo ele, foram recebidas representações externas que apresentam “lacunas” e podem justificar uma investigação autônoma. A PF encaminhou o tema à Procuradoria-Geral da República (PGR), que definirá se pede ou não a abertura de inquérito no STF.

Investigadores trabalham com quatro cenários:

  • Manter o caso com André Mendonça, vinculando o pedido de Flávio a Vorcaro às apurações sobre o Banco Master.
  • Transferir a relatoria para Alexandre de Moraes, caso prevaleça a tese de financiamento indireto a Eduardo Bolsonaro.
  • Abrir um inquérito totalmente novo, desvinculado dos dois processos em andamento; nesse caso, o relator seria definido por sorteio entre os 10 ministros do STF.
  • Endereçar a investigação ao ministro Flávio Dino, que desde o início do ano apura suspeitas de uso de emendas parlamentares no projeto cinematográfico, levantadas pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) sobre recursos indicados por Mário Frias (PL-SP), produtor executivo de “Dark Horse”.

Valores e impactos políticos

Registros contábeis divulgados pelo site The Intercept indicam que Vorcaro teria investido cerca de R$ 60 milhões no filme. Para Flávio e Eduardo Bolsonaro, o interesse do banqueiro seria unicamente comercial, projetando lucro de bilheteria. A PF, contudo, suspeita de motivação política diante dos montantes envolvidos.

Como não há, até o momento, pedido formal de inquérito, tampouco investigação instaurada, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro não sofre impedimentos jurídicos imediatos. Eventual efeito, por ora, estaria restrito ao campo da imagem, caso o inquérito seja aberto.

Com informações de Gazeta do Povo