Home / Política / PF exige até R$ 60 bilhões de Vorcaro para aceitar delação sobre Banco Master

PF exige até R$ 60 bilhões de Vorcaro para aceitar delação sobre Banco Master

ocrente 1779196753
Spread the love

Investigadores da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF) elevaram a cobrança financeira para validar a delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito da operação Compliance Zero. O grupo passou a exigir a devolução imediata de valores entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões, sob pena de rejeitar o acordo.

Segundo apuração divulgada nesta terça-feira (19) pela Folha de S.Paulo e confirmada por pessoas ligadas ao caso, Vorcaro propôs restituir aproximadamente R$ 40 bilhões em um prazo de dez anos. A oferta foi considerada insuficiente diante do rombo atribuído à quebra do Banco Master.

Ressarcimento bilionário

Os investigadores entendem que acordos longos perderam credibilidade após experiências com empreiteiras da Operação Lava Jato e com a J&F, quando empresas questionaram judicialmente valores ou suspenderam pagamentos. Para evitar novos impasses, exigem que Vorcaro detalhe a localização de todo o patrimônio e garanta o ressarcimento em curto prazo.

Levantamentos da própria investigação estimam os prejuízos em R$ 57 bilhões, enquanto uma entidade de policiais federais fala em até R$ 500 bilhões. Apenas o reembolso previsto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aos correntistas soma R$ 51,8 bilhões. As contas ainda não incluem eventuais perdas nas negociações com o Banco de Brasília (BRB), que adiou a divulgação do balanço de 2025.

Barganha reduzida

Autoridades avaliam que as informações apresentadas por Vorcaro até o momento têm baixo impacto e pouco acrescentam ao material já apreendido. Como a PF avança na apuração sem depender da colaboração, o poder de negociação do ex-banqueiro diminuiu.

Condições de custódia

Na véspera, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília. A acomodação impõe regras mais rígidas do que a sala de Estado-maior onde ele estava desde março, após deixar a Penitenciária Federal no Complexo da Papuda.

As próximas etapas da operação devem analisar grande volume de provas digitais e documentos, o que pode ampliar o número de investigados e o valor total dos danos apontados.

Com informações de Gazeta do Povo