O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sejam incluídos no inquérito que investiga o ex-deputado Eduardo Bolsonaro por suposta coação processual contra ministros da Corte.
Na petição, o parlamentar afirma que é necessário apurar se os valores destinados ao longa-metragem “Dark Horse” foram utilizados, integral ou parcialmente, para financiar ações políticas no exterior. Segundo Lindbergh, a linha investigativa busca esclarecer se o montante “serviu como lastro financeiro, mecanismo de cobertura, instrumento de ocultação ou via indireta de financiamento” da campanha internacional atribuída a Eduardo Bolsonaro contra o Estado brasileiro.
O deputado sustenta ainda que a produção poderia funcionar como peça de propaganda eleitoral em período estratégico. A obra teria lançamento previsto para 11 de setembro, data em que Jair Bolsonaro sofreu a facada em 2018, e traria o ex-presidente como “personagem messiânico”, de acordo com o documento.
Lindbergh anexou reportagens, mensagens, documentos e áudios divulgados recentemente pelo portal The Intercept. O material indica que Flávio Bolsonaro teria solicitado cerca de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para custear gravações e despesas do filme, recebendo aproximadamente R$ 61 milhões em parcelas — valores que ainda aguardam confirmação.
Os documentos também apontam que Eduardo Bolsonaro teria participado da gestão financeira da produção ao lado da empresa GoUp Entertainment e do deputado Mario Frias. Segundo os registros, Eduardo orientou Vorcaro sobre formas de transferir recursos aos Estados Unidos sem chamar a atenção das autoridades alfandegárias.
Após a divulgação dos vazamentos, Flávio Bolsonaro declarou que as solicitações ao banqueiro ocorreram “dentro da legalidade, em caráter privado e antes do surgimento de suspeitas” que envolvem Vorcaro. Eduardo Bolsonaro e Mario Frias negam ter mantido contato com o dono do Banco Master ou recebido recursos vinculados ao banqueiro para financiar o filme.
Mesmo sem menção direta a Jair Bolsonaro nos vazamentos, Lindbergh argumenta que o ex-presidente deve ser investigado por ser o suposto principal beneficiário político da obra e da ação internacional atribuída ao filho. “Jair Bolsonaro era o beneficiário simbólico, político e eleitoral da obra”, escreveu o deputado, lembrando que o ex-presidente está preso após condenação a 27 anos.
Eduardo Bolsonaro já responde no STF por suposta tentativa de interferir em processos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro. A acusação sustenta que ele atuou junto a parlamentares e integrantes do governo dos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e defender sanções contra ministros da Corte, entre eles Alexandre de Moraes. O processo encontra-se na fase final, com prazo aberto em 12 de abril para apresentação das alegações finais; a Defesa Pública da União representa o ex-deputado por falta de advogado constituído.
Com informações de Direita Online