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Pai de Daniel Vorcaro diz ser vítima de “equívoco” e nega participação em esquema do Banco Master

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Brasília — Preso desde 14 de maio na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), o empresário Henrique Moura Vorcaro enviou uma carta de oito páginas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na qual contesta as acusações da Polícia Federal ligadas à Operação Compliance Zero e afirma que sua detenção ocorreu por “um total e absoluto equívoco”. O documento foi protocolado em 19 de junho.

Moura Vorcaro é apontado pelos investigadores como operador de uma milícia privada supostamente criada pelo filho, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. No texto, o empresário de 71 anos declara inocência, nega ter R$ 2 bilhões em contas bancárias e alega que seu patrimônio foi construído “de forma lícita” ao longo de 45 anos no mercado imobiliário.

Contestação das suspeitas financeiras

O empresário classifica como “muito bizarra” a cifra atribuída pela PF e detalha que a compra de uma mansão de 2,2 mil m² nos Estados Unidos foi possível graças à venda de uma empresa de saúde, além de financiamentos e empréstimos. Ele também rebate relatórios sobre movimentações consideradas atípicas por órgãos de controle, afirmando que todas as operações foram declaradas à Receita Federal.

Relações com investigados

Na correspondência, Henrique admite conhecer há dez anos Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário” e citado como executor de ordens da suposta milícia. Segundo o empresário, a relação restringia-se a negócios imobiliários. Ele diz ter usado poucas vezes um telefone oferecido por Mourão para “não ser grampeado”, pois “não tinha nada a esconder”, e afirma ter recusado proposta para patrocinar publicações positivas em sites.

O empresário reconhece ainda ter contratado Manoel Mendes Rodrigues — apontado pela PF como aliado de Daniel Vorcaro no Rio de Janeiro — para vigiar um terreno em Campo Grande (RJ), mas garante desconhecer “qualquer atividade criminosa” do prestador de serviços.

Condições na prisão

Ao final da carta, Moura Vorcaro relata episódios de mal-estar na cela e reclama da falta de estrutura médica adequada na unidade prisional. Convertido à fé evangélica há 26 anos, ele pede que autoridades ouçam previamente os investigados para “evitar erros e injustiças”.

Henrique Moura Vorcaro foi alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e seus ex-dirigentes. O caso segue em análise no STF sob relatoria do ministro André Mendonça.

Com informações de Gazeta do Povo