Brasília – A quinta etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 22 de junho, colocou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no centro de suspeitas de favorecimento ao Banco Master e abalou a tentativa do Palácio do Planalto de vincular o escândalo apenas a figuras da oposição.
Documentos da PF indicam que o senador teria sido o principal beneficiário de vantagens econômicas, entre elas a compra de um apartamento de luxo em Salvador por R$ 2,45 milhões, o repasse de R$ 2,5 milhões a empresa ligada à sua família e uso de aeronaves e hospedagens custeadas pela instituição financeira.
Planalto é surpreendido
A investigação surpreendeu o governo e expôs o PT a novo desgaste político. Até então, aliados de Luiz Inácio Lula da Silva associavam o “caso Master” a parlamentares bolsonaristas, apelidando o episódio de “Bolso Master”. Com Wagner na mira, oposicionistas passaram a chamar o escândalo de “PT Master”.
Liderança mantida
Apesar da pressão, Lula sinalizou que não pretende afastar Wagner da liderança governista no Senado. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do inquérito, impôs restrições de contato entre investigados e proibiu negócios com empresas envolvidas, mas não determinou afastamento do cargo nem retenção de passaporte.
Três frentes de apuração
Segundo a PF, a investigação se divide em três eixos: aquisição do imóvel de alto padrão, repasses a empresas do círculo familiar do senador e oferta de luxo em troca de possível atuação parlamentar em temas de interesse do Banco Master, como crédito consignado, Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e operação no Banco de Brasília (BRB).
Impacto político
Analistas consultados apontam maior dano à narrativa petista do que à governabilidade. Para o cientista político Elias Tavares, o episódio coloca a corrupção novamente no centro do debate às vésperas das eleições de 2026. Já Flávio Testa avalia que a base de apoio ao governo no Congresso deve permanecer estável, embora o caso atinja simbolicamente um partido que se notabilizou pelo discurso anticorrupção.
O PT ainda não apresentou reação unificada ao inquérito que envolve uma de suas figuras mais próximas ao presidente e peça-chave na articulação com o Legislativo.
Com informações de Gazeta do Povo