Brasília — O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tinha conhecimento integral das movimentações da instituição, incluindo a tentativa de compra do Banco Master, posteriormente barrada pelo Banco Central.
Investigação perto do fim
Fontes ligadas ao inquérito informaram que a apuração da Polícia Federal está na fase final e posiciona Ibaneis como figura central nas negociações bilionárias com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito do caso. A PF apura se o ex-governador atuou para que a aquisição do Master fosse concluída ainda durante sua gestão.
Apesar das suspeitas, Ibaneis não foi indiciado nem é alvo de medidas cautelares até o momento. A defesa do ex-governador e a de Paulo Henrique Costa foram procuradas pela reportagem, mas não se pronunciaram.
Resultados adiados
Desde março, o BRB posterga a divulgação do balanço de 2025, que deve detalhar as perdas decorrentes da compra de carteiras de crédito consideradas fraudulentas do Banco Master e dos trâmites para aquisição da instituição.
Pressão sobre o Banco Central
Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) identificaram que a gestão Ibaneis tentou utilizar a corte como instância de recurso para pressionar o Banco Central a liberar a operação, mesmo após o regulador apontar fraudes e ativos inexistentes nas carteiras já vendidas pelo Master ao BRB.
Na ocasião, o governo distrital alegou que o acionamento do TCU visava preservar o valor de mercado e a imagem do BRB diante da demora do Banco Central. A administração negou qualquer pressão indevida e ressaltou a autonomia de governança do banco público.
Saída da corrida ao Senado
A fase conclusiva da investigação coincide com a decisão de Ibaneis Rocha, anunciada na quarta-feira (8), de desistir da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. O ex-governador, que completa 55 anos na sexta-feira, justificou a retirada por “motivos pessoais e profissionais”, afirmando que pretende dedicar mais tempo à família e ao escritório de advocacia.
A governadora Celina Leão (PP), que era vice na gestão Ibaneis, afastou-se politicamente do ex-chefe após o avanço das investigações e passou a criticá-lo publicamente, declarando que “sucessão não é submissão”.
Não houve manifestação do Banco Central sobre o caso após o novo depoimento. O inquérito segue sob sigilo na Polícia Federal.
Com informações de Gazeta do Povo