A Santa Sé confirmou, neste mês de julho, que a Sociedade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) se encontra oficialmente em estado de cisma, tornando inválidas as confissões e os casamentos celebrados por seus sacerdotes a partir da data da declaração.
O Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF) informou que a nota publicada em 2 de julho recebeu aprovação direta do papa Francisco. O pontífice já havia advertido o superior-geral da fraternidade, padre Davide Pagliarani, de que a ordenação de novos bispos sem mandato pontifício acarretaria excomunhão automática e a consequente ruptura de comunhão com Roma.
Segundo fontes do DDF, a revogação das faculdades concedidas em 2019 — que permitiam aos padres da FSSPX ouvir confissões e, em determinados casos, assistir casamentos com autorização diocesana — passa a ter efeito imediato. “Trata-se da decisão da Santa Sé”, reforçou a fonte vaticana.
Diferença em relação às Igrejas Ortodoxas
O canonista padre Davide Cito, professor da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, esclareceu que a situação jurídica da FSSPX difere da das Igrejas Ortodoxas. “Os ortodoxos não estão em plena comunhão com Roma, mas não estão excomungados. Já a fraternidade consumou um ato formal de ruptura”, explicou.
Para Cito, a validade dos sacramentos depende de autorização canônica. “Desde o Concílio de Trento, confissão e matrimônio exigem faculdade concedida pela autoridade eclesiástica. Um cismático não pode exercê-la validamente”, pontuou.
Consequências práticas
Novas orientações do Vaticano determinam que fiéis e clérigos que decidam deixar a FSSPX podem procurar diretamente o bispo diocesano ou institutos tradicionalistas em plena comunhão com Roma. O documento também recomenda que comunidades locais orientem os fiéis a não participarem de celebrações promovidas pela fraternidade.
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Com informações de Gazeta do Povo