Brasília, 9 de julho de 2026 – A senadora Teresa Leitão (PT-PE) estreou como líder do governo Lula no Senado com a missão de reaproximar o Palácio do Planalto do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e negociar a votação de pautas consideradas vitais para a campanha de reeleição do petista. No topo da lista está a proposta de emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6×1.
O texto, aprovado na Câmara em 27 de maio, aguarda decisão de Alcolumbre sobre quando começará a tramitar no Senado. Integrantes do governo pretendem levar a matéria ao plenário entre 1º e 15 de agosto, logo após o recesso parlamentar que se inicia em 17 de julho. A expectativa é transformar a mudança na jornada em trunfo eleitoral ainda antes do início oficial da campanha.
Discurso de “normalidade”
Em entrevista à CNN Brasil, Leitão declarou que não houve ruptura de diálogo entre o Executivo e o Senado, atribuindo o clima de tensão a “ruídos externos”. Especialistas ouvidos pela reportagem, porém, avaliam que a nova líder atua, na prática, como gestora de uma crise já instalada.
Para o cientista político Elias Tavares, da Universidade de Brasília, a fala da senadora busca “ganhar tempo” enquanto o Planalto tenta reconstruir pontes com Alcolumbre. Eduardo Grin, da Fundação Getulio Vargas, lembra que o governo é minoritário na Casa: “Sem o presidente do Senado, a pauta do Planalto simplesmente não anda”.
Calendário apertado
Com o segundo semestre dominado pela campanha eleitoral, analistas consideram improvável que a PEC seja votada antes de outubro. Caso o texto não avance até agosto, o Palácio do Planalto corre o risco de perder a bandeira trabalhista nas urnas.
Agenda travada e “bombas fiscais”
Após ajudar a barrar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, Alcolumbre pautou matérias classificadas pelo Ministério da Fazenda como de forte impacto orçamentário: a renegociação de dívidas rurais (PL 5.122/2023), o reajuste do piso de médicos e dentistas (PL 1.365/2022) e a aposentadoria especial para agentes de saúde (PEC 14/2021). No dia do primeiro encontro com Leitão, ele colocou em votação a PEC dos agentes de saúde, com custo estimado de R$ 30 bilhões.
Mudança forçada na liderança
A escolha de Teresa Leitão foi precipitada pela saída do senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo da nona fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. Investigado por supostas fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master, Wagner deixou o posto para se dedicar à defesa.
Até o momento, a rodada inicial de conversas entre Leitão e Alcolumbre encerrou-se sem compromissos concretos sobre a tramitação da PEC do fim da escala 6×1 ou de outras prioridades do Executivo.
Com informações de Gazeta do Povo