A disputa eleitoral de 2026 ainda não começou oficialmente, mas já mobiliza milhões de usuários nas redes sociais. No ambiente digital, a direita exibe vantagem ao explorar memes, linguagem coloquial e vídeos curtos, enquanto a esquerda busca fórmulas para recuperar terreno.
Direita aposta em vídeos virais e leveza
Publicações como o vídeo em que Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL) brincam com a possibilidade de formarem chapa – usando o bordão “será?” – ilustram a estratégia conservadora de adotar formatos nativos das plataformas. Apesar da piada, ambos mantêm pré-candidaturas separadas ao Planalto.
Trechos de discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também viram montagens irônicas, a exemplo do episódio em que a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, aparece preparando uma paca, animal cuja caça é proibida. O objetivo é maximizar compartilhamentos e desgastar adversários.
Esquerda investe em IA e influenciadores
Para conter o avanço conservador, aliados de Lula estruturaram equipes próprias e terceirizadas, recorrem à inteligência artificial para criar conteúdos satíricos e acionam influenciadores alinhados. Até o momento, o alcance permanece menor que o obtido pela direita.
Estudo aponta método por trás do engajamento
O cientista político Leandro Gabiati, do Ibmec-DF, afirma que a interação superior de perfis conservadores não é casual. Segundo ele, linguagem simples, produção descentralizada e uso do humor funcionam como “facilitadores cognitivos”, tornando a mensagem mais digerível em tempos de atenção fragmentada.
Nikolas Ferreira ultrapassa Lula no Instagram
Maior expoente digital da direita, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) reúne 22 milhões de seguidores no Instagram, atrás apenas do ex-presidente Jair Bolsonaro, que soma quase 27 milhões mesmo em prisão domiciliar. Lula possui 14 milhões.
Vídeos sobre Pix, o chamado “PL da misoginia” e a mobilização “Acorda, Brasil” renderam de 10 a 40 milhões de visualizações ao parlamentar. A “Caminhada da Liberdade”, em janeiro, gerou mais interações que posts relacionados ao Oscar, animando o PL e a equipe de Flávio Bolsonaro.
Descompasso geracional desafia a esquerda
Para o professor Elton Gomes, da Universidade Federal do Piauí, lideranças mais antigas da esquerda enfrentam barreiras culturais para lidar com memes e conteúdos espontâneos. Já o consultor Marco Túlio Bertolino observa que a percepção de renovação digital fortalece a direita, enquanto a esquerda tenta se reinventar.
A menos de seis meses do início oficial da campanha, o terreno virtual segue sendo o principal palco de disputa por atenção, narrativa e influência sobre o eleitorado jovem.
Com informações de Gazeta do Povo