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Kremlin seduz universitários com falsas promessas para enviá-los à guerra na Ucrânia

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Sob pressão para repor as baixas sofridas no campo de batalha, o governo russo iniciou uma ofensiva de alistamento em universidades de todo o país, oferecendo benefícios que não se concretizam, revelou uma investigação da emissora norte-americana CNN.

A operação busca evitar uma nova mobilização em massa como a de setembro de 2022, que convocou cerca de 300 mil homens e levou centenas de milhares a deixar o território russo. Nos campi, os estudantes escutam promessas de bônus financeiros generosos, perdão de dívidas estudantis, contratos de apenas um ano e a garantia de permanecer longe da linha de frente. Segundo a apuração, apenas os pagamentos são cumpridos.

‘Armadilha’ contratual

Sergei Krivenko, dirigente da ONG Citizen. Army. Law., afirmou que o prazo de 12 meses não passa de uma isca: “Quando o ano acabar, o estudante não será dispensado, assim como nenhum militar cujo contrato termina”, disse à CNN.

Grigory Sverdlin, responsável pela organização pacifista Idite Lesom (em português, “Vá Embora”), acrescentou que também não existe garantia de permanecer longe dos combates: “Assim que assina, a pessoa torna-se literalmente escrava do Ministério da Defesa. Pode ser enviada a qualquer unidade”.

Baixas recordes

O esforço ocorre em meio a perdas consideradas as maiores enfrentadas por uma grande potência desde a Segunda Guerra Mundial. Estudo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) estima que, até o fim de janeiro, a Rússia sofreu cerca de 1,2 milhão de baixas – 325 mil delas fatais.

Em encontro do Grupo de Ramstein, em Berlim, o ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, afirmou que Moscou está perdendo mais militares por mês do que consegue recrutar. Só em março, ele calculou 35 mil baixas russas.

Já o secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, citando dados apresentados por Fedorov, declarou que 96% dessas perdas são provocadas por drones ucranianos na linha de frente.

Guerra de atrito

Para o coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, colunista da Gazeta do Povo, o elevado número de mortos e feridos decorre de uma “guerra de atrito” marcada por combates intensos na zona de contato. “O atacante se expõe mais ao fogo inimigo que o defensor”, explicou, acrescentando que o uso disseminado de drones potencializa os ataques de ambos os lados.

Gomes Filho destacou ainda que o conflito, descrito oficialmente pelo Kremlin como “operação militar especial”, é visto por muitos russos como distante, o que dificulta a adesão voluntária às forças armadas.

Com informações de Gazeta do Povo