Brasília – Representantes de diversas comissões da verdade entregarão nesta quarta-feira (6) ao Ministério dos Direitos Humanos e à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos um pedido para que sejam divulgados todos os documentos da investigação que apura as circunstâncias da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek.
O grupo, que inclui o ex-secretário particular de JK, Serafim Melo Jardim, sustenta que o acidente de carro ocorrido em 22 de agosto de 1976, na Rodovia Presidente Dutra, foi na verdade um assassinato político encoberto pela ditadura militar comandada à época por Ernesto Geisel.
A petição baseia-se em inquérito do Ministério Público Federal concluído em 2021. Segundo o levantamento, perícia técnica indicou que o ônibus apontado como responsável jamais colidiu com o Opala em que Juscelino viajava. O MPF também identificou fraudes em exames toxicológicos, manipulação de amostras de sangue e quebra da cadeia de custódia dos corpos.
Para os autores do documento, as provas apontam que “a ditadura conduziu investigações fraudulentas com o objetivo de ocultar a verdade”. Eles pedem que o governo brasileiro reconheça oficialmente o ex-chefe de Estado como vítima de ação do regime militar.
Quase meio século após o episódio, os proponentes argumentam que a maior parte da população ainda desconhece detalhes considerados essenciais para esclarecer o que ocorreu na Via Dutra e reivindicam que todos os relatórios, laudos e demais peças do processo sejam tornados públicos.
Com informações de Gazeta do Povo