Home / Internacional / Retirada de 5 mil soldados dos EUA evidencia fragilidade da defesa europeia

Retirada de 5 mil soldados dos EUA evidencia fragilidade da defesa europeia

ocrente 1778036675
Spread the love

Bruxelas, 6 mai. 2026 – A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de remover 5 000 militares americanos estacionados na Alemanha após críticas do chanceler alemão, Friedrich Merz, escancarou a dependência da Europa da proteção norte-americana e reacendeu o debate sobre a autossuficiência militar do continente.

Como o impasse começou

Trump reagiu a declarações de Merz, que afirmou que os EUA estariam sendo “humilhados” na crise com o Irã. Além da retirada de efetivos da Alemanha, Washington sinalizou que medidas semelhantes podem ser aplicadas à Itália e à Espanha, países que, segundo a Casa Branca, não ofereceram apoio suficiente aos americanos durante a guerra no Golfo Pérsico.

Pressão para autossuficiência até 2027

O governo dos Estados Unidos estabeleceu um ultimato para que a Europa assuma a maior parte de suas capacidades de defesa convencional até 2027. A própria Otan estima que a Rússia possa reunir força militar para desafiar membros da aliança ocidental até 2030, o que aumenta a sensação de urgência em Bruxelas.

Investimentos ainda insuficientes

Apenas no ano passado todos os integrantes da Otan conseguiram atingir o mínimo de 2% do PIB em gastos de defesa, meta fixada há uma década. Mesmo assim, a evolução é irregular: Alemanha e Polônia ampliaram seus orçamentos militares em cerca de 24% no período, enquanto o Reino Unido reduziu aportes em 2% e a França registrou incremento modesto, de 1,5%.

Obstáculos políticos e industriais

Analistas europeus apontam lentidão na coordenação de estratégias dentro da União Europeia e dificuldades técnicas para manter parcerias de longo prazo entre indústrias nacionais, como a cooperação França-Alemanha. A heterogeneidade de prioridades entre os países complica a formação de uma frente de defesa unificada.

Dilema orçamentário

A proposta de Trump para que aliados elevem os gastos militares a 5% do PIB impõe um impasse interno: governos teriam de realocar recursos de áreas sociais e de saúde. Juros altos no mercado financeiro tornam empréstimos menos atraentes, enquanto a forte dependência de armamentos norte-americanos encarece e retarda a modernização das forças armadas europeias.

Sem consenso sobre como financiar a expansão militar e diante do prazo estipulado por Washington, líderes europeus reconhecem a necessidade de acelerar decisões estratégicas para evitar lacunas de segurança na próxima década.

Com informações de Gazeta do Povo