Uma charge publicada pela Folha de S.Paulo no sábado, 9 de maio, gerou forte reação de entidades da magistratura, tribunais e integrantes do Judiciário. Associações interpretaram o desenho como referência indireta à morte da juíza gaúcha Mariana Francisco Ferreira, ocorrida em 6 de maio, embora a autora negue qualquer relação.
O traço mostrava uma lápide com a inscrição “Vidinha mais ou menos, até perdê-la junto dos penduricalhos”, numa crítica aos benefícios extras que elevam os salários de magistrados acima do teto constitucional. A publicação ocorreu em meio à discussão nacional sobre esses auxílios, popularmente chamados de “penduricalhos”.
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) repudiou a charge, afirmando que a categoria vive um período de luto e não deveria ser alvo de escárnio. A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) também protestou, sustentando que liberdade de expressão não pode “banalizar a morte”.
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que engloba São Paulo e Mato Grosso do Sul, divulgou nota assinada pelo presidente Luís Antonio Johonsom di Salvo. No texto, a corte classificou o desenho como “zombaria” e prometeu enfrentar críticas consideradas ofensivas.
Sem citar diretamente a charge, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, divulgou comunicado defendendo que imprensa e crítica devem ser exercidas com prudência, sobretudo em momentos de dor.
No domingo, 10 de maio, a chargista Marília Marz declarou, em resposta publicada pela própria Folha, que só tomou conhecimento da morte da magistrada após a repercussão nas redes sociais. “Não foi inspiração para a charge e lamento a interpretação”, afirmou.
Com informações de Gazeta do Povo