Brasília – A Polícia Federal avalia solicitar a inclusão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na chamada “difusão prateada” da Interpol, mecanismo usado para localizar bens e ativos no exterior. O objetivo é rastrear os R$ 61 milhões repassados pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, ex-controlador do liquidado Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, que narra a carreira política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A discussão ganhou força após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar, em 30 de julho de 2026, a abertura de inquérito sobre o repasse. Reportagens de O Globo e Correio Braziliense indicam que investigadores cogitam recorrer ao instrumento internacional caso os meios tradicionais de cooperação jurídica não bastem para reconstituir o caminho do dinheiro.
Em nota enviada à Gazeta do Povo, a defesa de Flávio Bolsonaro acusou as publicações de agirem “com má-fé e irresponsabilidade” ao noticiar medidas ainda não oficializadas. Segundo os advogados, inexistem atos formais da PF, do Judiciário ou da Interpol que justifiquem a inclusão do senador na lista.
O eventual pedido da PF foi impulsionado pela divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de um áudio em que Flávio cobra recursos a Vorcaro para o longa-metragem. Os investigadores apuram se o montante foi integralmente remetido ao exterior e se houve desvio de finalidade.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades. De acordo com o parlamentar, os valores foram destinados a um fundo específico da produção, registrado nos Estados Unidos e sujeito a auditoria. Ele também refuta a hipótese de que parte do dinheiro tenha beneficiado o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora naquele país.
A “difusão prateada” foi criada recentemente pela Interpol para rastrear patrimônio ligado a crimes, diferindo da “difusão vermelha”, voltada à localização de foragidos. Caso ativos sejam identificados fora do Brasil, o procedimento pode facilitar bloqueios ou confisco, conforme a legislação local.
Em maio, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) encaminhou ofício à PF e à Interpol pedindo cooperação penal internacional sobre o financiamento do filme, citando a possibilidade de emissão de alertas do tipo “Silver Notice” ou instrumento equivalente.
Até o momento, não há solicitação formal para inserir o nome de Flávio Bolsonaro na lista da Interpol. A medida permanece em análise e dependerá do avanço das investigações sobre o destino dos recursos.
Com informações de Gazeta do Povo