Em artigo publicado na manhã de 7 de julho de 2026, o teólogo e jornalista científico Eduardo Baldaci defendeu que o livro de Gênesis deve ser interpretado de acordo com a cultura do Antigo Oriente, evitando a aplicação de critérios científicos modernos ao texto bíblico.
Segundo Baldaci, o conflito entre o relato da Criação e as descobertas da astrofísica e da geologia do século 21 decorre de um “anacronismo metodológico”, no qual leitores contemporâneos exigem pormenores técnicos que não faziam parte da intenção original dos autores sagrados.
Dois relatos com objetivos diferentes
O teólogo lembra que o primeiro trecho de Gênesis (1:1 a 2:3) apresenta um “poema cósmico litúrgico” focado no Deus transcendente, Elohim, que ordena o universo a partir do caos. Já o segundo relato (2:4-25) destaca Yahweh Elohim, divindade apresentada como próxima do ser humano, que molda Adão do pó da terra e organiza seu ambiente.
Crítica às mitologias vizinhas
Baldaci observa que o texto bíblico evita usar os nomes divinizados do Sol e da Lua — comuns em culturas pagãs — para sublinhar que esses astros são apenas “luminares” criados por Deus. A inversão da ordem habitual, com luz e vegetação surgindo antes dos corpos celestes, seria uma forma de reforçar a soberania divina sobre a natureza.
Estrutura em duas fases
O autor destaca a simetria da narrativa:
- Fase de estruturação (Dias 1 a 3): criação da luz, separação das águas e formação da terra seca com vegetação.
- Fase de preenchimento (Dias 4 a 6): posicionamento de Sol, Lua e estrelas, criação de aves e peixes, e, por fim, dos animais terrestres e da humanidade.
Para Baldaci, entender o gênero literário e o contexto histórico dissolve “tensões superficiais” entre fé e ciência, já que o texto bíblico responde ao “quem” e ao “porquê” da existência, enquanto a pesquisa científica se dedica ao “como”.
Perfil do autor
Formado em Teologia pelo STBN, Eduardo Baldaci é astrônomo amador reconhecido pela NASA, atua como jornalista científico há 43 anos e exerce o ministério pastoral na The Grove Church, em Titusville, Flórida, há 34 anos. Ele se declara defensor do criacionismo bíblico.
Com informações de Pleno.News