O bispo católico emérito Juan Abelardo Mata Guevara, de 80 anos, foi preso por agentes da Polícia Nacional da Nicarágua, fortalecendo denúncias de perseguição a líderes religiosos sob o governo de Daniel Ortega.
De acordo com a organização Christian Solidarity Worldwide (CSW), a primeira abordagem ocorreu em 29 de junho, quando o religioso foi brevemente liberado. No dia seguinte, voltou a ser detido e, desde então, seu paradeiro permanece incerto. Entidades de direitos humanos relatam que ele pode estar em prisão domiciliar vigiada, enquanto outras apontam que o local de custódia ainda não foi confirmado.
Críticas constantes ao governo
Mata Guevara, bispo emérito da Diocese de Estelí, tornou-se uma das vozes mais ativas contra o que classifica como restrições à liberdade religiosa na Nicarágua. Em celebração realizada no domingo anterior à detenção, o religioso pediu orações pelos cristãos perseguidos e por membros do clero presos ou exilados, atitude que precedeu a ação policial.
Reação internacional
A CSW exigiu que o governo nicaraguense revele o local onde o bispo está sendo mantido, assegure sua integridade física e o liberte caso não existam acusações formais. Outras organizações internacionais também manifestaram preocupação, destacando um padrão de repressão contra líderes religiosos críticos ao regime.
Histórico de tensão
A relação entre a Igreja Católica e o governo de Daniel Ortega deteriorou-se após os protestos de 2018. Desde então, emissoras católicas foram fechadas, procissões proibidas, ordens religiosas expulsas e vários membros do clero presos. O caso de maior repercussão é o do bispo Rolando Álvarez, condenado a mais de 26 anos de prisão e posteriormente enviado ao Vaticano em 2024.
A detenção de Juan Abelardo Mata reforça o alerta de entidades de liberdade religiosa sobre o aumento das ações contra vozes consideradas opositoras na Nicarágua.
Com informações de Folha Gospel