Levantamento do Instituto Datafolha, realizado em junho de 2026, apontou contrastes marcantes entre evangélicos e católicos quanto à identificação política no Brasil. Entre os fiéis evangélicos, 52% situam-se na faixa que vai da direita à centro-direita, contra 30% na esquerda ou centro-esquerda. O grupo restante (18%) permanece no centro.
No eleitorado católico, o desenho é mais equilibrado: 43% aderem à direita ou centro-direita e 39% se dizem de esquerda ou centro-esquerda, diferença que se configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Metodologia
A pesquisa foi aplicada presencialmente a 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. O nível de confiança é de 95% e o estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.
Comportamento acentua discrepância
As maiores divergências aparecem em temas de comportamento. Nesse eixo, 61% dos evangélicos foram classificados como direita ou centro-direita, enquanto apenas 18% ficaram à esquerda. Entre católicos, a distribuição é 52% à direita e 27% à esquerda. Pautas como liberdade religiosa, família, aborto, criminalidade, posse de armas, fé e educação pesaram nessa segmentação.
Economia aproxima os grupos
No campo econômico, a distância diminui. Entre católicos, 47% adotam posições de esquerda, ante 27% de direita. Entre evangélicos, há empate técnico: 39% de esquerda, 33% de direita e 28% de centro.
Trajetórias distintas explicam diferenças
Especialistas ouvidos pelo Datafolha destacam que, nas últimas décadas, segmentos pentecostais e neopentecostais reforçaram agendas conservadoras, o que ampliou a aproximação com partidos e candidatos de direita. Já a Igreja Católica, mais heterogênea, combina correntes ligadas à Renovação Carismática, de perfil moralmente conservador, com movimentos que priorizam justiça social e combate à pobreza, contribuindo para a distribuição ideológica mais uniforme.
Os pesquisadores lembram que religião não define, por si só, o voto. Fatores como renda, escolaridade, região e experiências pessoais também influenciam as escolhas do eleitorado, mantendo a diversidade de opiniões tanto entre evangélicos quanto entre católicos.
Com informações de Folha Gospel