Pequim – 20 mai. 2026. Menos de uma semana após receber o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o líder chinês Xi Jinping recebeu nesta quarta-feira (20) o presidente russo Vladimir Putin no Grande Salão do Povo, na capital chinesa. O encontro marcou o início da visita oficial do chefe do Kremlin e resultou na assinatura de cerca de 20 documentos bilaterais.
De acordo com a agência EFE, os instrumentos incluem declarações, acordos e memorandos sobre boa vizinhança e amizade, cooperação estratégica, formação de profissionais, políticas antitruste, parceria científico-técnica, energética e transporte ferroviário. Um dos textos prevê atuação conjunta para o “estabelecimento de um mundo multipolar”.
Segundo a CNN, Xi declarou que China e Rússia devem “fortalecer a coordenação estratégica abrangente” e responsabilizou Washington pela atual instabilidade global. “A situação internacional passa por turbulência e transformação, enquanto correntes hegemônicas unilaterais estão desenfreadas”, disse, numa referência ao governo dos EUA.
Putin destacou que Moscou e Pequim “participarão ativamente de fóruns internacionais em que nossas equipes trabalham em estreita colaboração para construir uma base sólida para um mundo multipolar”, informou o jornal The Moscow Times.
Críticas ao projeto militar norte-americano
Em declaração conjunta, os dois governos condenaram o projeto norte-americano “Domo Dourado”, sistema de defesa antimíssil em desenvolvimento pela administração Trump e inspirado no “Domo de Ferro” israelense. Conforme a Reuters, China e Rússia classificaram o plano como “ameaça óbvia à estabilidade estratégica”, por pretender criar “um escudo ilimitado, multinível e global” capaz de destruir mísseis em todas as fases de voo.
Os dois países afirmaram ainda que a iniciativa viola o “princípio fundamental” que vincula armas ofensivas e defensivas e acusaram Washington de “política irresponsável” ao permitir que o Tratado Novo Start – acordo de 2010 que limitava arsenais nucleares russo e norte-americano – expirasse em fevereiro sem substituto.
Posicionamentos sobre Oriente Médio e América Latina
No mesmo documento, Pequim e Moscou condenaram os ataques militares conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, classificando-os como violações do direito internacional que “minam gravemente a estabilidade no Oriente Médio”.
Os governos também repudiaram “assassinato de líderes de países soberanos” e “sequestro de dirigentes nacionais para julgamento”, aludindo à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei em 28 de fevereiro, atribuída a bombardeios americanos e israelenses, e à captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro durante operação militar dos EUA em janeiro.
Com informações de Gazeta do Povo