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Eleição colombiana de domingo ocorre em clima de violência recorde e pode favorecer direita

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A Colômbia vai às urnas neste domingo, 31 de maio, para o primeiro turno da eleição presidencial em meio a uma escalada de violência registrada durante o governo de Gustavo Petro.

Nas pesquisas, o senador Iván Cepeda, apoiado por Petro, lidera a disputa inicial. Entretanto, simulações de segundo turno indicam vantagem de opositores de direita: o advogado Abelardo de la Espriella e a senadora conservadora Paloma Valencia, que aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Se nenhum candidato alcançar 50% mais um dos votos válidos, a segunda rodada está marcada para 21 de junho.

Segurança domina o debate

O foco dos postulantes oposicionistas é a crise de segurança. Relatório do InSight Crime mostra que a taxa anual de homicídios permaneceu na casa de 25 por 100 mil habitantes — nível considerado epidêmico pela Organização Mundial da Saúde — e que confrontos armados entre grupos criminosos aumentaram em pelo menos metade dos departamentos em 2025.

Casos recentes reforçaram a sensação de insegurança. Em junho do ano passado, o senador conservador Miguel Uribe Turbay foi baleado em Bogotá e morreu dois meses depois; a execução foi atribuída a guerrilheiros. No mês passado, um atentado a bomba no departamento de Cauca deixou 20 mortos e 36 feridos. Dois integrantes da equipe de campanha de Espriella e o jornalista Mateo Pérez Rueda também foram assassinados.

‘Paz Total’ emperra, narcotráfico cresce

Durante o mandato, Petro propôs a estratégia chamada Paz Total para negociar novos acordos com guerrilhas, mas as conversas não avançaram. Paralelamente, o narcotráfico se expandiu. Dados divulgados em outubro de 2024 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) indicam alta de 10% nas áreas de cultivo de coca em 2023, alcançando 253 mil hectares, enquanto a produção de cocaína subiu 53%, chegando a 2.664 toneladas.

Tensão com os Estados Unidos

Em outubro passado, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções econômicas a Petro, à primeira-dama Veronica del Socorro Alcocer Garcia, ao filho mais velho do presidente e ao ministro do Interior, Armando Benedetti, acusando o governo de permitir a expansão dos cartéis de drogas. Após encontro entre Petro e o presidente americano Donald Trump na Casa Branca, em fevereiro, os dois países anunciaram cooperação no combate ao narcotráfico, mas, segundo o jornal The New York Times, o líder colombiano continua alvo de duas investigações nos Estados Unidos por suposta ligação com traficantes.

Diante desse cenário, analistas veem aumento das chances de a direita conquistar mais uma presidência na América do Sul, a exemplo das vitórias recentes na Bolívia e no Chile.

Com informações de Gazeta do Povo