Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta semana que pretende destravar duas das principais obras de infraestrutura da Região Norte: a ferrovia Ferrogrão, entre Sinop (MT) e o porto de Miritituba (PA), e a reconstrução da rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). As declarações ocorreram durante visita de Lula ao Amazonas, em 30 de maio de 2026, a poucos meses das eleições municipais.
O chefe do Executivo esteve em Iranduba (AM) e, diante de autoridades locais, disse que a BR-319 será “a estrada mais moderna do mundo” do ponto de vista ambiental. O governo prevê firmar uma Parceria Público-Privada (PPP) até 2028 para tocar a obra, com duração contratual de 20 anos e aporte estimado de R$ 20 bilhões da União.
Ferrovia estratégica para o agronegócio
Sobre a Ferrogrão, Lula declarou à Rede Amazônica: “Se tem uma coisa que eu posso garantir, nós vamos fazer a Ferrogrão”. O projeto, visto como rota fundamental para o escoamento da safra do Centro-Oeste, estava suspenso por liminar no Supremo Tribunal Federal (STF), mas recebeu aval da Corte em março de 2026. Ainda faltam licenciamento ambiental e estudos técnicos complementares.
Críticas da oposição e do setor ambiental
Parlamentares da bancada ruralista e da oposição acusam o Planalto de adotar as obras como estratégia eleitoral. O deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) afirmou que “o Brasil não precisa de promessa reciclada em ano eleitoral, precisa de obra entregue”. Já o deputado Nelson Barbudo (Podemos-MT) associou a mudança de discurso a uma tentativa de aproximação com o agronegócio.
Entidades ambientais e indígenas mantêm resistência. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) informou que continuará contestando a Ferrogrão, alegando falta de consulta prévia e pendências no Ibama e no Tribunal de Contas da União. No caso da BR-319, o Observatório do Clima move ação civil pública para anular a licença prévia emitida em 2022, alegando risco de aumento do desmatamento.
Obras antes ligadas ao governo Bolsonaro
Durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), tanto a Ferrogrão quanto a BR-319 foram apresentadas como prioridades. À época, críticas partiram de organizações ambientais e de parte da própria esquerda. Agora, parlamentares da Região Norte avaliam que o Palácio do Planalto reconheceu o custo político de manter os projetos parados, especialmente no Amazonas, onde a rodovia é tratada como essencial para integração e abastecimento.
Nos bastidores, aliados de Lula atribuem a nova postura à necessidade de demonstrar compromisso com desenvolvimento regional e redução de custos logísticos. O governo sustenta que a modernização da malha de transportes poderá, inclusive, diminuir emissões ao encurtar rotas de caminhões.
A PPP da BR-319 segue em fase de modelagem, enquanto o cronograma da Ferrogrão depende de licenciamento ambiental e atualização de estudos de viabilidade.
Com informações de Gazeta do Povo