A Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado Federal aprovou, na terça-feira (28), dois convites destinados ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao delegado Marcelo Ivo de Carvalho, para esclarecer a participação da PF na detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE).
O colegiado é presidido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência em 2026. A iniciativa partiu após a expulsão de Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos, acusado pelo governo norte-americano de “manipular o sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas” em território norte-americano.
Delegado teve permanência revogada nos EUA
Marcelo Ivo de Carvalho, que monitorava Ramagem, foi obrigado a deixar o país após a operação do ICE. Já Andrei Rodrigues deverá explicar quais foram as ações da Polícia Federal antes, durante e depois da abordagem ocorrida na Flórida.
Críticas durante a votação
Na reunião da CSP, o senador Jorge Seif (PL-SC) afirmou que Ramagem é um “homem honrado” e destacou que não se tratou de prisão, mas de detenção. Seif quer saber, segundo suas palavras, “qual mentira do governo brasileiro” levou à versão de que houve cooperação na captura do ex-diretor da Abin. O parlamentar ainda elogiou Flávio Bolsonaro e disse confiar em sua eventual eleição à Presidência para “acabar com essa vergonheira”.
Guerra de versões sobre a detenção
O episódio gerou versões conflitantes. Em um primeiro momento, a imprensa noticiou que Ramagem teria sido preso. A PF, então, relacionou o caso à cooperação internacional e à condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal no processo do chamado “núcleo 1”.
Residente nos EUA, o empresário Paulo Figueiredo divulgou nota afirmando que a abordagem ocorreu após infração leve de trânsito e negou qualquer participação do governo brasileiro. Ele também ressaltou que Ramagem está amparado por um pedido de asilo ainda não analisado, o que, segundo a advogada Larissa Salvador, permite sua permanência legal no país até a conclusão do processo.
Tensão diplomática
Após a detenção, o Brasil aplicou o princípio da reciprocidade e determinou a expulsão do agente do Departamento de Segurança Interna norte-americano Michael William Myers. A medida elevou o clima de tensão entre os dois países.
Ramagem perdeu o passaporte diplomático ao deixar a Câmara dos Deputados. Para Andrei Rodrigues, o ICE agiu porque o ex-parlamentar estaria em situação migratória irregular; segundo o diretor da PF, evidências teriam sido reunidas com a colaboração da procuradora Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado.
Os dois convidados ainda não têm data confirmada para comparecer à CSP. A expectativa dos senadores é ouvir suas versões antes de decidir novos passos sobre o caso.
Com informações de Gazeta do Povo