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União Europeia exclui Brasil de lista de exportadores de carne e impõe restrição a partir de setembro

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A União Europeia decidiu, nesta terça-feira (12), retirar o Brasil da relação de países habilitados a vender carne e animais vivos ao bloco. A restrição entra em vigor em 3 de setembro e ameaça o segundo maior destino da proteína brasileira, responsável por US$ 1,8 bilhão em 2025.

De acordo com a porta-voz de Saúde da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, a medida abrange bovinos, equinos, aves, ovos, produtos de aquicultura, mel e envoltórios. “O Brasil deixará de poder exportar para a UE esses itens”, afirmou à agência Lusa. A exclusão foi motivada pelo não atendimento aos padrões sanitários exigidos, que incluem o controle do uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. Bruxelas indicou que o comércio poderá ser retomado quando o país se adequar às regras.

Em nota, o governo brasileiro disse ter recebido a decisão com “surpresa” e anunciou que “tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados e garantir o fluxo de vendas desses produtos, exportados para o mercado europeu há 40 anos”. O Executivo destacou que, por ora, os embarques seguem normais e informou que o chefe da Delegação do Brasil junto à UE tem reunião marcada para esta quarta-feira (13) com autoridades sanitárias europeias.

“Detentor de um sistema sanitário robusto e de qualidade internacional reconhecida, o Brasil é o maior exportador mundial de proteínas de origem animal e principal fornecedor agrícola do mercado europeu”, acrescentou o comunicado oficial.

A votação que selou a exclusão ocorreu no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia. Mesmo com a saída do Brasil, outros 21 países permanecem autorizados, entre eles Argentina, Paraguai e Uruguai. A decisão surge pouco depois da entrada provisória do acordo comercial entre UE e Mercosul, que enfrentou resistência de agricultores europeus.

“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. É legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão de hoje mostra que o sistema europeu de controle funciona”, declarou o comissário de Agricultura, Christophe Hansen.

Dados do governo federal apontam que, em 2025, o Brasil exportou 128,9 mil toneladas de carne bovina ao bloco europeu, volume recorde e 132% superior ao de 2024, com receita de US$ 1,06 bilhão.

Com informações de Gazeta do Povo