Caracas — A governante interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou nesta sexta-feira (3) que seu gabinete negocia financiamento com o Departamento de Estado dos Estados Unidos e com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para custear a reconstrução do país depois dos terremotos de 24 de junho.
Em coletiva de imprensa, a sucessora de Nicolás Maduro detalhou que também mantém conversas com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial, instituições que, segundo ela, “já ofereceram cooperação não reembolsável” e “linhas de crédito” destinadas à recuperação venezuelana.
Rodríguez apresentou um balanço preliminar dos estragos: pelo menos 855 edifícios danificados, 2.595 mortos e 12.400 feridos. Estimativas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), baseadas na ferramenta satelital RAPIDA, calculam perdas de aproximadamente US$ 6,7 bilhões em residências, veículos, prédios e empresas.
Para centralizar doações, o regime criou um fundo inicial de US$ 200 milhões e abriu uma conta no CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe – que, segundo a líder chavista, estará sujeita a auditorias completas. Uma equipe “altamente especializada” de Israel chegou recentemente ao país para avaliar a integridade de estruturas que não desabaram por completo.
Desabrigados e ajuda internacional
As autoridades estimam que 12.800 pessoas perderam suas casas; a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) contabiliza 16.000 venezuelanos que precisaram buscar moradia alternativa. Na terça-feira, o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, visitou Caracas para discutir cooperação humanitária e possíveis projetos de reconstrução de infraestrutura e habitações.
Oposição insiste em voltar
Enquanto o governo tenta fechar acordos financeiros, a opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, afirmou em videoconferência que não solicitou escolta para regressar ao país. “Nem eu nem nossas equipes necessitamos ou solicitamos qualquer tipo de proteção”, disse.
Machado anunciou após os abalos sísmicos de magnitude 7,2 e 7,5 que retornaria à Venezuela, mas acusa o governo de ter fechado o espaço aéreo para impedir sua chegada. Reportagem do Wall Street Journal apontou que a Casa Branca, chefiada por Donald Trump, teria desaconselhado a viagem para evitar uma crise política adicional.
“Os terremotos evidenciaram que a Venezuela se tornou um Estado falido”, declarou a dirigente, que deixou o país em dezembro passado para receber o Nobel em Oslo e enfrenta acusações do regime por supostos crimes de terrorismo, conspiração e traição à pátria, todas negadas por ela.
Com informações de Gazeta do Povo