Os peruanos voltam às urnas neste domingo, 12 de abril de 2026, para o primeiro turno da eleição presidencial que tenta encerrar uma década de instabilidade política marcada por oito presidentes diferentes em dez anos.
Favoritos refletem desgaste do eleitorado
Duas figuras da direita lideram a corrida para avançar ao segundo turno, previsto para junho. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, disputa o cargo pela quarta vez. Já o empresário e ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga aparece tecnicamente empatado com a candidata. Pesquisas recentes indicam, porém, que a intenção de voto em branco supera o apoio individual a cada um dos postulantes, sinal de forte desalento da população.
Por que tantos presidentes caíram?
Desde 2016, nenhum chefe de Estado peruano conseguiu completar o mandato. Analistas atribuem o fenômeno à combinação de corrupção sistêmica e a um dispositivo constitucional conhecido como incapacidade moral permanente, que permite ao Congresso destituir o presidente sem a necessidade de comprovar crime específico. Com base parlamentar limitada, sucessivos governos tornaram-se vulneráveis a essa ferramenta.
Quatro ex-mandatários condenados no último ano
Quase todos os ex-presidentes vivos do Peru enfrentam processos ou já foram presos. Nos últimos 12 meses, Pedro Castillo, Martín Vizcarra, Alejandro Toledo e Ollanta Humala receberam condenações por lavagem de dinheiro, conluio com empreiteiras — entre elas a brasileira Odebrecht — e tentativas de ruptura da ordem democrática.
Desafio para quem vencer
Além de recuperar a economia, o próximo governante precisará negociar com um Congresso altamente fragmentado e carente de partidos nacionais fortes. Eleito geralmente com votação modesta, o presidente inicia o mandato com legitimidade frágil. Romper o ciclo de crises e permanecer cinco anos no cargo será a principal missão — algo que o país não presencia há uma década.
Com informações de Gazeta do Povo