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Direita tenta isolar Flávio Bolsonaro de tarifaço dos EUA e atribui crise ao governo Lula

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Brasília — 2.jun.2026 – A ameaça de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, sugerida em relatório preliminar do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e que pode entrar em vigor em 15 de julho, levou o PL a montar uma operação para afastar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de qualquer responsabilidade pela medida.

Pré-candidato à Presidência, Flávio afirma ter pedido pessoalmente ao ex-presidente Donald Trump que poupe empresas brasileiras e enviou carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, defendendo negociações para evitar prejuízos à economia nacional.

Estrategia do PL

No partido, a ordem é reforçar a imagem de Flávio como mediador capaz de proteger empregos e exportações. Dirigentes avaliam que a proximidade da família Bolsonaro com integrantes do governo Trump, em vez de ser desgaste, pode virar ativo político caso o senador seja visto como “ponte” entre os dois países.

Parlamentares de oposição também buscam fixar a narrativa de que a crise comercial decorre da política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A culpa é da irresponsabilidade do governo Lula”, disse o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição.

Investigação ampara tarifa

O USTR abriu a apuração amparada na Seção 301 da legislação comercial americana. O documento cita regulação de plataformas digitais, decisões judiciais sobre redes sociais, previsibilidade regulatória, combate à corrupção, sistemas de pagamento eletrônicos — como o Pix — e barreiras comerciais. O órgão recomenda sobretaxa de 25% a partir de 15 de julho.

Para o estrategista internacional Cezar Roedel, o Planalto “teve tempo para negociar” e deixou a situação avançar. Já o cientista político Elton Gomes vê risco duplo para a direita: danos econômicos internos e eventual fortalecimento do discurso de soberania de Lula.

Reação do Planalto

Após o relatório, o governo brasileiro divulgou nota contestando as acusações, defendendo o Pix e acusando Flávio e aliados de agirem contra interesses nacionais. Analistas divergem: Roedel classifica o texto como “ideológico”; outros apontam argumentos técnicos, porém consideram frágil a resposta a questões institucionais levantadas por Washington.

Tensões políticas

Em Catalão (GO), Lula citou a Inconfidência Mineira para chamar Flávio de “traidor da pátria”. O senador anunciou que ingressará com notícia-crime no Supremo Tribunal Federal, alegando incitação à sua morte.

Nas redes sociais, Flávio reiterou ter pedido a Trump que “tarifas não sejam solução” e se ofereceu para intermediar negociações: “Precisamos sentar seriamente à mesa, não com bravatas”.

Deputados como Maurício Marcon (PL-RS) minimizam efeitos eleitorais do episódio, afirmando que cabe ao governo Lula resolver o impasse comercial.

Com informações de Gazeta do Povo