Pequim — O chanceler chinês, Wang Yi, declarou nesta terça-feira (2) que a China está pronta para aprofundar a cooperação com o Brasil, bem como com toda a América Latina e o Caribe. A afirmação ocorreu durante encontro em Pequim com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.
Segundo Wang, a relação sino-brasileira tornou-se “cada vez mais global, estratégica e de grande alcance” nos últimos anos, com avanços práticos em diversas áreas. O ministro defendeu que os dois governos continuem construindo uma “comunidade de futuro compartilhado” para encarar desafios externos, promover a modernização de ambos os países e fortalecer a unidade do chamado Sul Global.
A agenda bilateral ganha impulso num momento em que Brasília e Washington atravessam atritos comerciais. Enquanto Vieira se reunia com Wang, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendava a aplicação de tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras, após investigação que apontou supostas práticas comerciais injustas. O relatório norte-americano citou falhas brasileiras em temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
A tensão entre os dois países também cresceu depois de o Departamento de Estado dos EUA anunciar, na semana passada, a inclusão das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras, medida que passa a valer em 5 de junho. Nesta terça, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou ao Senado que a América Latina abriga atualmente diversos governos aliados de Washington, mas citou o Brasil como exceção.
Durante a reunião em Pequim, Mauro Vieira reiterou que o Brasil continuará a reconhecer o princípio de “Uma Só China”, que considera Pequim o único governo legítimo de todo o território chinês, incluindo Taiwan. O chanceler brasileiro manifestou ainda o desejo de consolidar a confiança estratégica com a China, ampliar a cooperação prática e reforçar a coordenação em fóruns multilaterais, ressaltando que os dois países são defensores do multilateralismo e do livre-comércio.
Wang Yi, por sua vez, disse apoiar o Brasil na proteção de sua soberania, independência e autonomia. A China mantém-se como principal parceiro comercial brasileiro desde 2009; em 2025, o fluxo bilateral alcançou US$ 171 bilhões, segundo dados do governo do Brasil.
Com informações de Gazeta do Povo