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Lula causa repercussão no G7 com críticas a Trump, defesa das urnas eletrônicas e comentários sobre Ucrânia

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Paris — Durante a cúpula do G7, realizada em 17 de junho de 2026, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez declarações que se tornaram foco de atenção entre os chefes de Estado. As falas, registradas por transmissões oficiais e pela imprensa, abordaram desde o sistema eleitoral brasileiro até a guerra na Ucrânia e incluíram críticas diretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Críticas ao presidente norte-americano

Em conversa informal com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, Lula afirmou que Trump age como “imperador” e “acredita que pode acordar e dar ordens ao mundo inteiro”. A fala foi captada pela Associated Press.

Mais tarde, ao reagir a comentários de Trump sobre o “cenário político conturbado” do Brasil, Lula aconselhou: “Não se meta nas eleições do Brasil; elas são problema do Brasil, assim como as dos Estados Unidos são problema deles”. O presidente brasileiro elogiou a segurança das urnas eletrônicas e sugeriu que Washington poderia “aprender” com o modelo adotado no país.

Posicionamento ideológico

Em diálogo com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, Lula declarou: “Eu nunca fui esquerdista. Eu era dirigente sindical com excelente relação com o sindicalismo alemão, italiano e espanhol”. Acrescentou ainda que “o mundo não é de esquerda, mas do caminho do meio”.

O presidente recordou também que, nos anos 1980, foi rotulado de anticomunista após recusar convite para um congresso na então União Soviética, devido a processos abertos com base na Lei de Segurança Nacional.

Defesa das urnas eletrônicas

Ao falar sobre o sistema eleitoral, Lula questionou por que a Organização das Nações Unidas não recomenda mundialmente a votação eletrônica. “Todas as minhas derrotas e vitórias ocorreram nesse sistema”, destacou. Questionado sobre a possibilidade de voltar a disputar a Presidência, respondeu que a legislação permite nova candidatura depois de um mandato de intervalo: “Se eu for eleito agora, serei o presidente mais longevo da história do Brasil, possivelmente o único a vencer quatro eleições”.

Guerra na Ucrânia

Após reunião com Volodymyr Zelensky, Lula afirmou ter percebido, “pela primeira vez desde o início da guerra”, disposição do presidente ucraniano para negociar a paz. “Eu não sentia interesse do Zelensky, do presidente russo Vladimir Putin nem do chinês Xi Jinping pela paz”, declarou, dizendo-se disposto a contribuir para um acordo.

Regulação da inteligência artificial

Em discurso ao plenário, o chefe do Executivo brasileiro defendeu a regulação das plataformas digitais. Segundo ele, sem ação deliberada, a inteligência artificial “pode ampliar, e não reduzir, desigualdades”. Lula acrescentou que os dados gerados por cidadãos e instituições brasileiras devem ser protegidos e mencionou o recém-sancionado ECA Digital, destinado a ampliar a proteção de crianças e adolescentes na internet.

As declarações marcaram o segundo dia de atividades do G7, encontro que reuniu líderes das principais economias do mundo com o objetivo de alinhar posições sobre segurança, economia e governança global.

Com informações de Gazeta do Povo