O governo do Irã passou a exigir permissão prévia e, em determinados casos, a cobrar tarifas de embarcações que desejam atravessar o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado no planeta. A mudança foi revelada nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, em reportagem da agência Reuters.
Segundo fontes do setor marítimo ouvidas pela agência, o mecanismo criado nos últimos dias inclui análise detalhada de cada navio, definição de rotas obrigatórias, inspeções em alto-mar e possíveis pagamentos para garantir a travessia. Algumas embarcações já desembolsaram mais de US$ 150 mil (aproximadamente R$ 750 mil) para obter liberação.
Antes de autorizar a passagem, autoridades iranianas avaliam origem e destino da carga, bandeira, empresa operadora, composição da tripulação e eventuais vínculos com Estados Unidos ou Israel, nações adversárias de Teerã no atual conflito regional. A Guarda Revolucionária Islâmica lidera o novo sistema de controle.
O esquema opera por níveis de prioridade: navios ligados a aliados do Irã, como Rússia e China, recebem preferência; em seguida vêm países com relações próximas, como Índia e Paquistão. Outras nações precisam negociar caso a caso com o governo iraniano.
Fontes oficiais em Teerã confirmaram a aplicação de cobranças relacionadas à segurança e à navegação, sem detalhar o montante já arrecadado. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, por sua vez, alertou que empresas estrangeiras podem ser alvo de sanções caso paguem taxas ou firmem garantias diretamente com o regime iraniano para atravessar o estreito. Washington mantém atualmente um bloqueio naval com o objetivo de limitar as exportações de petróleo do país persa, principal fonte de receita do governo.
Com informações de Gazeta do Povo